Ao sair do hospital, Hector pega o celular e começa a ligar para Ava, mas nenhuma das chamadas é atendida. Cada toque sem resposta aumenta ainda mais sua preocupação.
Por um momento, considera ir até a casa dos pais dela, talvez fosse para lá que ela teria ido. Então, decide deixar o orgulho de lado e dirige até lá.
No entanto, ao se aproximar da rua onde os sogros moravam, seu celular toca. Ele olha para a tela e vê o nome de Doris.
— O que houve, Doris? — pergunta, direto.
— Me desculpa te ligar agora, Hector, mas temos um imprevisto…
— Que tipo de imprevisto?
— A sua tia, Margot, acabou de chegar aqui em casa.
— O quê? — ele pergunta, surpreso. — Margot?
— Sim… e ela não veio sozinha. Trouxe a filha, Estelle.
— Era só o que me faltava — comenta, nervoso. — Não posso ir agora, tenho que procurar a Ava.
— Mas ela também está aqui — Doris revela.
— Sério mesmo?
— Sim, ela chegou e foi para o quarto. Parecia meio abatida.
— Estou indo agora.
Desligando a ligação, Hector dá meia-volta e dirige direto para casa. Assim que entra na mansão, a primeira coisa que nota é uma quantidade absurda de malas espalhadas pelo hall de entrada; como se alguém tivesse se mudado por tempo indeterminado.
— Enfim, você chegou — comenta uma voz feminina com tom ofendido. Sentada elegantemente no sofá, com os cabelos impecavelmente presos e um lenço de seda no pescoço, está Margot, sua tia por parte de pai. — Estou aqui nesta sala há horas.
Ele franze o cenho.
— Tia… o que está fazendo aqui?
— Não seja mal-educado — ela retruca, se levantando e dando um beijo no rosto dele. — Não é isso que deveria dizer ao ver uma parente querida depois de tanto tempo.
— Me desculpe — ele respira fundo. — Mas não estava esperando por sua visita.
Ao lado da tia Margot, está Estelle, sua prima. Que, embora tivesse quase vinte anos, vestia-se como uma senhora de sessenta: roupas fechadas, saias longas e blusas de gola alta, sempre em tons neutros. Estelle era tímida e andava com os ombros curvados e a cabeça baixa, como se quisesse passar despercebida.
— Olá, primo — diz ela com um sorriso tímido, abraçando-o. — É um prazer revê-lo. Nos desculpe por virmos sem avisar. Eu até disse à mamãe que isso não era uma boa ideia, ainda mais agora que você está recém-casado… mas ela não me ouviu.

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