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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 113

Ao entrar na cozinha, Hector encontra Doris terminando de preparar o almoço.

— Só me faltava essa… — murmura para si, visivelmente incomodado.

— Tenha um pouco de paciência, Hector. Tenho certeza de que logo sua tia vai se entediar e voltar para aquele país gelado dela.

— Eu queria que fosse hoje — dispara, sem rodeios.

— Não diga isso — Doris aconselha, erguendo uma sobrancelha. — Se ela desconfiar que não é bem-vinda, vai fazer exatamente o oposto e se instalar de vez.

— É... nisso você tem razão. Mas justo hoje ela tinha que aparecer?

— O que aconteceu? — pergunta preocupada.

— A Ava… — responde, soltando as palavras como se esperasse que Doris compreendesse tudo só com o tom da sua voz.

— Tenho certeza de que ela vai saber se comportar com a sua tia por perto.

— Esse não é o problema — explica.

— Então, qual é? — indaga, parando o que estava fazendo para encará-lo.

Hector olha ao redor, como se quisesse garantir que ninguém mais ouviria, depois coça a barba com impaciência.

— Deixa quieto… Ela já sabe que Margot está aqui? — Muda o assunto.

— Tentei avisar, mas quando bati na porta, ela gritou para eu não a incomodar.

— Prepare o quarto da minha tia e da Estelle. E chame mais algumas funcionárias — suspira. — Com essas duas aqui, você vai precisar de reforço.

— Pode deixar.

— Vou ver a Ava.

Evitando a sala principal, segue direto para o quarto de Ava. B**e uma vez e recebe o silêncio como resposta. B**e novamente.

— Ava, por favor, abra a porta. Precisamos conversar.

— Vá embora! — ela grita do outro lado.

— Não é sobre nós, eu prometo.

Após alguns segundos de silêncio, a porta se abre lentamente. Ava está diante dele, abatida, como os olhos vermelhos e o semblante cansado.

— O que foi agora?

Ele entra rapidamente e fecha a porta atrás de si.

— Eu não quero você no meu quarto — diz ela com frieza.

— Eu sei. Mas isso é por uma força maior — responde, andando até a janela.

— Então fala logo e sai daqui — ordena, com os braços cruzados.

Encarando-a, sente o peito apertar. Queria tanto abraçá-la, dizer que tudo ficaria bem… mas se limita à verdade:

— Temos visitas.

Ava franze o cenho.

— Quem?

— Margot. Minha tia. Ela mora em Genebra. Apareceu de surpresa com a filha, Estelle. Disseram que vão passar um tempo aqui.

— Perfeito. Era só o que me faltava — ela revira os olhos com sarcasmo.

— Eu também não estou nada satisfeito com isso. Mas não posso mandá-las embora.

— E quer que eu faça o quê?

— Que finja ser mesmo a minha esposa — responde com firmeza.

— Por quanto tempo?

— Eu não sei. Espero que não seja muito.

— Tudo bem. Vou manter as aparências. Agora pode ir — diz, indo até a porta.

— Espera — ele a detém com a voz baixa.

— O que mais?

— A gente vai ter que dividir o quarto — diz de uma vez. — Se ela perceber que dormimos separados, vai me infernizar.

Devagar, Ava gira o pescoço, como quem precisa se acalmar para não explodir.

— Por acaso isso faz parte de algum plano seu?

— Claro que não! — rebate, ofendido. — Eu juro, não sabia que elas viriam.

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