O almoço é servido, com a mesa impecavelmente posta. Hector se senta ao lado de Ava, que mantém a compostura mesmo diante do desconforto crescente. Já Margot ocupa a ponta da mesa como se fosse a anfitriã.
— Bom, devo confessar — ela começa, ajeitando o guardanapo no colo com toda pompa —, essa viagem de última hora me deixou exausta. Genebra estava encantadora nesta época do ano, mas… como ignorar os rumores sobre o casamento relâmpago do meu único sobrinho?
Brevemente, Ava ergue o olhar para Hector, que revira os dele com discreta irritação.
— E foi então que pensei: isso só pode ter algo errado — continua Margot, completamente alheia ao constrangimento que espalhava. — Um homem como o Hector, conhecido por sua frieza e ambição… casar assim, de repente? E com uma moça que estava prestes a se casar com outro.
Estelle arregala os olhos e abaixa a cabeça ainda mais, claramente envergonhada.
— Senhora Margot, por favor… — Ava tenta intervir com respeito.
— Oh, querida, não se ofenda. Sou apenas franca. Prefiro dizer as coisas na cara do que sussurrar pelos cantos como as falsas elegantes fazem. Só estou tentando entender. Você está grávida? — solta, olhando diretamente para Ava.
A mesa congela por um instante. Hector se engasga com a água, tossindo leve. Estelle fica roxa de vergonha.
— Não acho que esse seja um assunto apropriado para este momento, tia — diz ele com a voz baixa, porém firme.
— Ah, por favor, Hector. Somos adultos. E família. Se a menina não está grávida, então me diga: por que tanto mistério?
— Porque vida pessoal se trata com respeito, não com especulação — Ava responde, finalmente.
Margot sorri, satisfeita com a resposta, como se tivesse testado Ava de propósito.
— Muito bem… ao menos sei que tem um pouco de fogo no sangue.
Margot dá uma garfada em seu prato e volta a falar, como se tivesse intimidade para aquilo.
— Se não é a gravidez o motivo do seu casamento com o meu sobrinho, poderiam ao menos tentar engravidar — dispara, sorrindo como se estivesse dando o melhor dos conselhos. — Nada como um filho para calar a boca das pessoas.
Ava paralisa com o talher no ar. Hector fecha os olhos por um instante, respirando fundo para conter a irritação.
— Tia Margot, por favor… — ele murmura, tentando manter a calma.
— O que foi? — ela rebate, olhando para ambos. — Eu falo mesmo. Vocês não querem acabar como esses casais modernos que se separam antes mesmo da lua de mel, não é?
Mesmo com o rosto rígido, Ava sorri com falsidade, mas a resposta vem na mesma moeda:
— Que bom saber que a senhora apoia a ideia de filhos. Quando for a hora certa, com certeza avisaremos — diz, controlando o tom. — Inclusive, com antecedência… diferente da sua visita.
Estelle engasga tentando esconder o riso e abaixa o olhar novamente.

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