Mesmo que tivesse pendências na empresa, Hector sabia que o maior desafio daquele dia não envolvia planilhas ou reuniões. Dirigindo rumo à casa de Mark, sabia que precisava da ajuda do amigo mais uma vez.
Assim que ele entra, Mark cruza os braços e solta uma risada debochada.
— Não sabia que você se transformaria num marido tão prestativo — zomba, sem perder a chance.
— Pode rir — responde, fechando a porta atrás de si. — Eu não me importo.
— Ainda bem, porque vou continuar jogando na sua cara que você está pagando com a língua após ter dito que o amor era perda de tempo.
Hector solta um suspiro cansado, ignorando a provocação. Em vez de retrucar, apenas se j**a no sofá, com a expressão pesada, como quem carrega o mundo nas costas.
Observando-o por alguns segundos, o sorriso no rosto de Mark se desfaz gradualmente.
— O que foi agora? — pergunta, agora mais sério, ao ver o semblante carregado do amigo. — Você disse que precisava conversar com urgência.
Como se buscasse forças para organizar os pensamentos, Hector passa a mão pelo rosto.
— Queria te contar sobre a conversa com a médica da Ava… Helena Hills se não me engano — começa ele, com o tom de voz mais contido. — Ela me contou sobre o diagnóstico dela… Síndrome de Asherman. Disse que as chances de a Ava engravidar são quase nulas.
Mark o encara em silêncio, absorvendo o impacto da revelação.
— Cara… sinto muito.
— É, eu também — murmura, ajeitando o relógio no pulso. — Mas senti que aquela médica… não é de confiança.
— Como assim? — Mark franze o cenho.
— Eu não gostei dela — revela, encarando o chão como se revivesse o encontro.
— Ah, mas também… de quem é que você gosta? — Mark ironiza.
— Não é isso — rebate, sem paciência para a provocação. — Ela me pareceu desinteressada com o problema da Ava… fria demais. E, para ser bem honesto, meio atirada também.
— Sério? A doutora Hills? Sempre a vi como uma profissional séria e... até seca demais.
— Pois então, talvez tenha evoluído de seca para… inadequada. Seja como for, quero outro profissional avaliando o caso da Ava. Alguém que realmente se importe.
— Vai ser difícil a Ava aceitar trocar de médico. A doutora Hills a acompanha desde o começo — pondera Mark.
— Eu sei. Por isso estou aqui. Preciso da sua ajuda.
Já suspeitando do que viria, Mark o encara.
— E o que exatamente quer que eu faça?
— Quero que consiga os exames mais recentes da Ava — diz, direto.
— Não posso fazer isso — recusa de imediato.
— Pode sim — rebate, impassível. — Já fez isso uma vez, lembra?
— As circunstâncias eram diferentes, Hector. Muito diferentes.
— Não importam as circunstâncias — insiste. — O que importa é que você consegue. Me envie os resultados e deixe o resto comigo.
— O que vai fazer?
— Já entrei em contato com outro médico. Um dos melhores especialistas do país. Quero que ele analise os exames e me diga o que realmente está acontecendo.
— Vai fazer tudo isso sem a Ava saber?
— Sim. Não tenho escolha no momento. Se eu falar agora, ela vai resistir. Mas se tiver outra opinião médica concreta, posso tentar convencê-la com fatos.
— Por que não tenta fazer a coisa certa antes de apelar para a errada?

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