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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 117

Já passa das cinco da tarde quando Ava acorda. Ela se remexe na cama, mas não tem pressa em se levantar. Seu olhar percorre o quarto de Hector, fixando-se por um instante no abajur ao lado da cama, nos quadros e, por fim, nos lençóis ainda amassados. Encolhe-se, sentindo o cheiro dele impregnado em sua pele e no travesseiro.

— Mais uma vez — murmura, soltando um suspiro resignado. — Estou me tornando reincidente…

Sem ânimo, desliza para fora da cama e para diante do espelho. O reflexo que vê parece cheio de dilemas, mas ela ergue o queixo, como se desafiasse aquela versão fragilizada de si mesma.

— Não se sinta culpada… — diz em voz alta, tentando se convencer.

Caminha até o banheiro, enquanto reflete em silêncio. Talvez seja melhor parar de se punir. Afinal, está casada. Não há pecado em se deitar com o próprio marido. E, além disso, não há risco de gravidez, então… por que deveria se importar?

Mas, por mais que tente transformar esse pensamento em consolo, ele soa como um lamento abafado. Saber que não pode realizar seu maior sonho, de ser mãe, ainda pesa mais do que gostaria de admitir. E não importa quantas vezes repita essa desculpa em sua mente… ela jamais é suficiente.

Tomando um banho rápido, tenta afastar os pensamentos que insistem em rondar sua mente. A água morna escorre pelo seu corpo, mas não leva embora o peso que sente no peito. Após se vestir, prende os cabelos em um coque frouxo e sai do quarto em silêncio.

Decide procurar por Doris, na esperança de conversar ou pelo menos ter um momento de normalidade. No entanto, ao se aproximar da cozinha, desacelera o passo ao ouvir uma voz mais alta e ríspida ecoar pelo corredor. Reconhece o tom; é Margot.

— Isso é inadmissível! — a mulher vocifera. — Sentada, assistindo televisão a essa hora?! Me diga, Doris, em que casa do mundo uma funcionária faz isso enquanto há milhares de coisas a serem resolvidas?

Ava para ao lado da parede, ouvindo atentamente.

— O Hector não se importa, senhora Margot — responde Doris, em tom baixo, tentando se defender. — Ainda mais quando as minhas tarefas estão concluídas.

— Eu não sei por que ele ainda te mantém aqui, se você já não presta para muita coisa — rebate Margot com desdém. — Francamente, uma casa como essa merece alguém mais competente. E não digo apenas sobre funcionários…

Ava para à porta, com o cenho franzido. Observa Doris abaixar a cabeça, visivelmente desconfortável. Sem pensar duas vezes, entra na cozinha com passos firmes.

— Algum problema por aqui?

Margot se vira lentamente, com um sorriso cínico nos lábios.

— Só estou tentando colocar ordem nesta casa. Achei que uma nova dona traria novos hábitos, mas vejo que a antiga bagunça continua por aqui.

— Doris não é uma bagunça — diz Ava, mantendo a calma. — Ela é uma funcionária de confiança e está nesta casa há muito mais tempo do que eu. E se o Hector a mantém, é porque reconhece o valor dela.

— Valor? — Margot ri, com desprezo. — O que vejo é comodismo e falta de pulso firme. Não me admira que essa casa esteja do jeito que está.

— A senhora pode ficar o tempo que quiser como hóspede, mas as decisões aqui cabem a mim e ao meu marido — afirma Ava, firme. — E enquanto for assim, exijo respeito com quem trabalha aqui.

Emocionada, Doris tenta esconder o alívio nos olhos. Ava, por sua vez, encara Margot com autoridade, ciente de que aquela mulher não recuaria facilmente.

Mas ela também não pretendia recuar.

— Eu só estou tentando ajudar — Margot rebate, inflando o peito com altivez. — Mas, se uma pessoa tão jovem como você acha que sabe de tudo, não posso fazer nada. Pessoas novas deviam aprender a ouvir mais e falar menos, principalmente diante dos mais velhos.

— Respeito se conquista, senhora, não se impõe. E idade, por si só, não é sinônimo de sabedoria.

Dá um passo à frente.

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