Assim que chega em casa, Hector encontra Estelle sentada na sala. Ao vê-lo, seus olhos se arregalam como se tivessem acabado de ver um fantasma.
— Hector… que bom que chegou — diz ela, apressada, levantando-se com um sorriso ansioso.
— O que foi? Você parece meio eufórica — ele comenta, franzindo o cenho ao notar seu jeito inquieto.
— Oh… não é nada de mais — responde, desviando o olhar.
— Como foram as coisas por aqui?
— Dentro do possível, tranquilo.
— Me desculpa por não conseguir dar mais atenção para você.
— Não se preocupe com isso. A mamãe foi quem errou em vir sem avisar. Você nem imagina o quanto estou constrangida com essa situação.
— Não precisa ficar assim — diz ele, tocando suavemente o ombro dela. — Você sabe que gosto de ter você por perto.
O rosto de Estelle cora imediatamente. Hector sempre foi o único homem com quem ela conseguia conversar com mais naturalidade, talvez por saber que, sendo seu parente, jamais a destrataria.
— Mesmo assim… eu esperava que as circunstâncias fossem um pouco diferentes — confessa.
— Talvez elas possam mudar — comenta ele, com um sorriso enigmático.
— Como assim? — pergunta, curiosa, erguendo o olhar.
— Hoje à noite, um amigo meu vem jantar aqui. Falei muito bem de você, Estelle. Ele ficou tão interessado que está ansioso para te conhecer.
Mais uma vez, ela cora, mas dessa vez, com mais intensidade.
— Um amigo? — repete, surpresa. — Eu… não sei se estou preparada para isso.
— Não precisa ficar nervosa — tranquiliza. — Ele é uma ótima pessoa.
— Tenho certeza… só não sei o que você disse sobre mim para ele querer me conhecer.
— O que te assusta?
Ela hesita, abaixa a cabeça e murmura:
— Você sabe…
Hector solta um suspiro leve e segura sua mão por um instante.
— Fique calma, Estelle. Apenas seja você. Tenho certeza de que o Mark vai gostar de você do jeitinho que é.
Ela força um sorriso, mas por dentro o nervosismo cresce.
— A Ava apareceu aqui hoje à tarde? — pergunta, mudando de assunto.
— Sim. Ela e mamãe tiveram uma pequena discussão.
— Sério?
— Sim, mas nada com que se preocupar. Sua esposa é maravilhosa, Hector. Em nenhum momento abaixou a cabeça para mamãe. Foi firme, educada. Ela é admirável.
Com um certo orgulho no olhar, ele sorri.
— Agora vou subir, tomar um banho e descansar um pouco — avisa ele, afrouxando a gravata.
— Tudo bem — responde Estelle, observando-o sair. Sozinha novamente, ela respira fundo e sussurra baixinho para si mesma:
— Eu só espero não estragar tudo essa noite…
Ele sobe as escadas, massageando a nuca, cansado do dia. Abre a porta do quarto sem bater, como quem já está acostumado com o próprio espaço, mas para no mesmo instante ao cruzar o batente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo