Não foi preciso mais nenhuma palavra sair da boca de Margot para pesar o clima. Assim que ela reclama, todos se calam, mergulhados em seus próprios pensamentos. O jantar segue em silêncio até o fim, e quando termina, Margot leva a mão à testa com uma pequena careta.
— Vou subir. Estelle, me leve para o quarto — ordena, não se importando com os outros.
Sem jeito, Estelle apenas se levanta e acompanha a mãe. No entanto, Hector percebe quando ela lança um olhar rápido para Mark, como se quisesse dizer algo, mas não tivesse coragem.
Assim que as duas desaparecem no corredor, Hector fecha os punhos e pragueja baixinho:
— Ela sempre foi assim…
Mark e Ava o encaram em silêncio.
— Mas vou dar um jeito nisso… pelo menos hoje — diz ele, determinado, levantando-se da cadeira e saindo em direção à cozinha.
Ao chegar, encontra uma funcionária guardando os pratos, enquanto Doris limpa o balcão. Sem dizer nada, ele caminha até um armário, pega um copo e o enche de água. Em seguida, segue para o próprio quarto. Lá, entra no banheiro, abre um armário e procura um frasco específico entre os remédios. Assim que encontra, o segura firme e sai rumo ao quarto da tia.
B**e na porta. Estelle abre, surpresa.
— Hector? O que foi?
— Como ela está?
— Queixando-se de dor, mas se recusa a tomar qualquer coisa.
Sem esperar convite, ele entra no quarto. Margot está deitada na cama, com expressão de aborrecimento. Ao vê-lo, ergue uma sobrancelha.
— Ah, é você?
— Trouxe algo para a senhora — diz ele, aproximando-se. — É um dos meus remédios preferidos. Sempre funciona quando estou com enxaqueca forte.
Satisfeita com a atenção, Margot sorri.
— Que cavalheiro você ainda é... obrigada, meu querido.
Ela toma o comprimido com a água e se recosta no travesseiro, fechando os olhos devagar.
— Se o seu pai estivesse vivo, ele diria para você me dar mais atenção. — Ela comenta com os olhos fechados.
— Aposto que ele diria isso mesmo — ironiza, sem sequer olhar para ela.
— Você devia ter me consultado antes de querer se casar. Eu teria te arrumado uma pessoa mais qualificada.
— Qualificada segundo os seus critérios, claro — rebate. — Alguém submisso, moldável… que suportasse ouvir você o dia inteiro sem abrir a boca.
Ela abre os olhos e o encara, ofendida.
— Não seja ingrato comigo, Hector. Eu só penso no seu bem.
— Não, tia… tudo no que você pensa é em você. Sempre foi. E agora que não pode controlar minhas escolhas, tenta desqualificar quem eu escolhi.

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