Na sala, Ava conversa com Mark perto da janela, em tom leve e descontraído. Hector, por outro lado, permanece mais afastado, de pé, com as mãos nos bolsos e os olhos fixos na escada. Está inquieto.
— Como está a sua mãe? — pergunta Ava, quebrando o silêncio, enquanto segura uma xícara de chá entre os dedos.
— Ela está bem — responde Mark com um sorriso calmo. — Arrumou um novo emprego há algumas semanas. Está cuidando de uma senhora de idade, daquelas bem tradicionais, sabe? Mas parece que está gostando. Diz que a rotina a mantém em movimento.
— Fico feliz em saber — comenta Ava. — A Charlotte é uma pessoa maravilhosa.
— Ela pensa o mesmo de você — ele responde, com sinceridade.
— Vou me organizar direitinho para visitá-la qualquer dia.
— Aposto que ela irá amar — comenta.
De repente, a conversa entre eles se desfaz no ar. Ambos olham na direção da escada quando ouvem os sons de passos.
Estelle está descendo com calma, segurando o corrimão.
— Demorei demais? — pergunta ela, se direcionando ao primo, assim que chega ao último degrau.
— Claro que não — responde Hector com um sorriso gentil, aliviado por vê-la ali.
— A mamãe ficou conversando tanto… que por um instante achei que o remédio nem faria efeito — comenta, com um sorriso nervoso.
Satisfeito com o retorno da moça, Mark se aproxima. Seus olhos se iluminam de forma sutil, sincera, e um sorriso discreto surge em seus lábios.
— Que bom que voltou — diz, olhando diretamente para ela, com uma doçura que a faz desviar o olhar por um breve instante.
— Eu também estou feliz… — ela responde, tímida, mas sincera, enquanto seus olhos encontram os dele por apenas alguns segundos, antes de se refugiarem no chão.
Ao lado, Ava sorri baixinho, como quem observa o início de algo que ainda nem ambos perceberam completamente.
— Agora que estamos aqui, acredito que podemos sair para dar uma volta.
— Mas… e se minha mãe acordar? — pergunta preocupada.
— Não se preocupe com nada. Ela só deve acordar amanhã.
Mesmo com certo medo, Estelle assente. Queria aproveitar a presença de Mark, e principalmente, a leveza de não estar sob a sombra sufocante da mãe. Sentia-se, pela primeira vez em muito tempo, um pouco mais… livre.
Os dois casais saem da casa e entram em um dos veículos de Hector. Ele dirige com tranquilidade pela costa.
— Para onde querem ir? — pergunta ele, lançando um olhar rápido pelo retrovisor.
— Que tal ficarmos aqui por perto mesmo? — sugere Estelle, num tom baixo, mas audível.
— Podemos nos sentar um pouco na beira do mar, observar as ondas… — completa Ava, sorrindo.
Mark concorda com um aceno.

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