Pensando que Hector só podia estar fazendo algum tipo de brincadeira, Ava solta uma risada seca e se vira de costas, cruzando os braços.
— Pare com essa idiotice — diz, num tom entre o sarcasmo e o desconforto. — Não precisa brincar comigo desse jeito.
Sem entender de imediato, ele franze o cenho.
— Brincar?
— É claro — rebate, ainda de costas. — Eu te conheço. Você gosta de provocar, gosta de ver até onde consegue me tirar do sério. Mas isso… — faz um gesto vago com a mão — dizer que eu sou seu tipo ideal? Não força, Hector!
Ele dá dois passos até ficar mais próximo dela.
— Ava… — chama, com a voz mais baixa. — Eu não estou brincando.
Ela hesita, ainda sem encará-lo.
— Eu não sou inocente como a sua prima — enfatiza, com firmeza, tentando manter uma barreira entre o que sente e o que demonstra.
— Sei que não é — rebate Hector, sem hesitar. — E não quero que seja. Só quero que acredite em mim.
— Por que eu faria isso? — ela desafia, cruzando os braços, ainda sem encará-lo por completo. — Por que acreditaria em você agora?
— Porque estou sendo sincero.
Ele se aproxima mais um passo. E com delicadeza, como se respeitasse cada centímetro daquela distância, toca o rosto dela, guiando-a com suavidade para que o encare.
— Olha nos meus olhos, Ava — diz, com a voz de súplica. — Eu sei que você consegue perceber quando alguém está mentindo. E sei que, agora… você sente que eu não estou.
Ela o encara e, por um instante, o tempo para.
Ava vê nos olhos dele algo diferente. Não era o olhar de provocação de outras vezes, nem o charme ensaiado. Era algo nu, exposto. Real.
— Você é insuportável quando fala com essa voz calma — murmura, com um sorriso fraco, quase vencido.
— E você é linda — ele continua, mantendo o toque leve no rosto dela — quando deixa a barreira que nos separa desmoronar.
Sentindo o impacto daquelas palavras como se algo dentro dela rachasse, ela pensa em recuar, mas não consegue.
Não quando ele a olha daquele jeito. Não quando a voz dele soa tão verdadeira.
Ela engole em seco, com o olhar preso no dele, como se estivesse prestes a admitir o que tanto tenta esconder.
— Hector… — sussurra, mas não termina a frase.
Ele se inclina só um pouco mais, sem pressa, como se estivesse pedindo permissão em silêncio.
— Você não acha mais interessante quando nos damos bem? — ele pergunta, com o tom mais leve, mas ainda íntimo. — Quando podemos conversar sem nenhuma provocação séria?
Ela permanece em silêncio por alguns segundos. Seus olhos estão nos dele, mas seu corpo ainda parece dividido entre o impulso de se entregar e o velho hábito de recuar.
Mas ele espera… Não força, apenas a observa com paciência.
— Vamos tentar. O que acha?
Respirando fundo, ela finalmente responde, com a voz baixa, quase num sussurro:
— Eu… posso tentar.
Com um sorriso satisfeito, ele quebra o resto da distância entre eles.
— Ótimo. Prometo tentar não te irritar… tanto.
Ava revira os olhos, mas não segura o sorriso que escapa nos lábios.
— Vai ser difícil para você.
— Vai — ele admite. — Mas por você, acho que vale a pena.

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