Assim que a esposa sai do escritório, Hector retoma suas obrigações. Com semblante mais sério, senta-se à mesa e começa a revisar uma pilha de contratos. Assina alguns documentos importantes, frutos diretos do impacto que seu casamento com Ava causou no mercado. A união dos dois já começava a render frutos no mundo dos negócios, atraindo investidores atentos à nova configuração familiar dos Moreau.
Enquanto analisa uma cláusula mais delicada, seu celular vibra sobre a mesa. Ele lança um olhar rápido e, ao ver o nome na tela, endireita a postura imediatamente antes de atender.
— Hector, pode falar por um momento? — A voz firme e pausada do outro lado da linha o chama.
— Claro, doutor Jeremy — responde, deixando de lado os papéis. — Estou ouvindo.
— Acabei de revisar os resultados dos exames que me enviou da sua esposa.
Segurando o celular com mais força, sente seu coração acelerar imperceptivelmente.
— Então… me diga o seu parecer.
Do outro lado da linha, o médico respira fundo antes de continuar:
— Olha, Hector, eu revisei com muita atenção todos os exames da Ava, especialmente os hormonais e as imagens que me foram enviadas.
— E então? — ele insiste, tamborilando os dedos de leve sobre a mesa.
— A boa notícia é que o quadro dela não é tão complexo quanto parecia. Ao contrário do diagnóstico anterior, sua esposa não tem nenhuma síndrome. O que ela apresenta é um desequilíbrio hormonal leve, algo comum em mulheres que passaram por períodos de estresse emocional prolongado.
Surpreso, recosta-se na cadeira.
— Quer dizer que ela não é infértil?
— De forma alguma — garante o médico. — Ela tem, sim, uma certa dificuldade de ovular regularmente, mas isso não é permanente, nem exige tratamentos invasivos. Na verdade, com uma alimentação equilibrada, sono regular e redução do estresse, as chances de engravidar são altas.
— Então… se ela quiser, ela pode ser mãe? — pergunta, com a voz mais baixa, como se tivesse medo da própria esperança.
— Pode, sim. E com acompanhamento, pode acontecer de forma totalmente natural. Minha recomendação? Nada de alarme, nem medicamentos fortes. Só um pouco de paciência e cuidado com o bem-estar dela.
— Obrigado, doutor Jeremy. De verdade — diz, com a voz agora mais leve, mas ainda processando tudo. — Isso muda tudo…
— Fico feliz em ajudar. Qualquer outra dúvida, me ligue.
Ao encerrar a ligação, Hector continua sentado por alguns segundos, encarando o nada. A sensação de alívio se mistura com a lembrança de quantas vezes Ava havia sido enganada por aquela médica, que sempre a acompanhou, mas… por quê?
Incapaz de se concentrar no trabalho após a ligação do médico, ele fecha os contratos sobre a mesa e decide sair do escritório. A revelação ainda martelava em sua mente, ecoando como um alarme impossível de ignorar. Mesmo tendo prometido à esposa que almoçariam juntos, sabia que não conseguiria encarar aquele momento sem antes desabafar com alguém de confiança.
Sem pensar duas vezes, dirige-se até o apartamento de Mark, certo de que o amigo estaria de folga naquele dia. Assim que a porta se abre, Mark o encara com estranheza, percebendo a inquietação estampada no rosto dele.
— Aconteceu alguma coisa? — pergunta, abrindo espaço para que ele entre.
Sem dizer nada por alguns segundos, Hector caminha até o centro da sala, passa a mão pelos cabelos e só então se vira para Mark.
— Qual é o problema daquela médica? — dispara, andando de um lado para o outro pela sala.
— De quem você está falando? — Mark pergunta, fechando a porta com atenção.
— Da doutora Hills.
— O que tem ela?
— Deu um diagnóstico completamente errado para Ava — responde, visivelmente revoltado.
— Como assim? — Mark franze o cenho, surpreso.
— Eu mandei todos os exames da Ava para o doutor Jeremy, um especialista de confiança. Ele analisou tudo com calma e disse que o problema dela não é grave como a Helena Hills fez parecer. Na verdade, é algo simples. Algo que nem requer tratamento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo