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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 130

— Você é louco, sabia? — Mark diz, caminhando até a cozinha. — Não pode fazer isso, Hector.

— Por que não? Ela é minha esposa. Estamos casados. O que há de errado nisso?

— O problema é que esse casamento de vocês não é real.

— É sim — rebate, mas logo se corrige. — Quero dizer… estamos nos dando bem. Para tudo se tornar real, é só uma questão de tempo.

— Como algo pode se tornar real se você só vive à base de mentiras? — Mark insiste, apoiando-se no balcão da cozinha com os braços cruzados.

— Não é mentira! — rebate, firme. — Eu só… estou esperando o momento certo.

— Momento certo? Quando será isso? Você quer esconder de sua esposa que ela pode ter filhos? Você tem ideia do que isso representa para a Ava?

— Eu sei… — diz ele, apertando a mandíbula com força. — Mas o médico foi claro: ela precisa de paz, de tranquilidade. Se souber a verdade agora, vai começar a se cobrar, se pressionar… e tudo isso só vai piorar as coisas.

— Hector…

Mark tenta falar, mas é interrompido pelo amigo.

— Ela está começando a confiar em mim, Mark. Se eu jogar essa verdade agora, ela vai me evitar.

— Como não evitar, cara? — rebate, elevando o tom da voz, visivelmente alterado. — Você quer engravidar a Ava sem o consentimento dela! — Sua voz sai mais grave, quase em um grito contido.

Tentando conter o nervosismo que lhe sobe pelos ombros, Hector fecha os punhos e respira fundo, como se isso pudesse justificar seus pensamentos.

— Ela quer um filho, Mark… eu só quero dar a ela o que tanto deseja.

— Está ouvindo a si mesmo? — Mark dá um passo à frente, indignado. — Você tem ideia do que está dizendo? Isso não é como surpreendê-la com um presente, Hector! Estamos falando de gerar uma vida!

— Eu sei… — murmura, mas sua voz vacila.

— Sabe mesmo? — o amigo insiste. — Um filho não é um artifício emocional, nem uma forma de manter alguém ao seu lado. Um filho é para sempre. É responsabilidade, é entrega, é verdade. Você está preparado para isso?

Por algum motivo, Hector abaixa o olhar, mas não responde de imediato.

— Me diz, de coração: você quer ser pai de verdade? Ou só quer prendê-la antes que ela descubra o que você fez com a empresa dela?

O silêncio que se instala é brutal e sufocante. E pela primeira vez, Hector não tem resposta porque, no fundo, até ele começa a duvidar das próprias intenções. Caminhando até o sofá, ele senta-se lentamente, como se o peso do que acabava de ouvir tivesse dobrado seus ombros. Leva as mãos à cabeça e apoia os cotovelos nos joelhos, pressionando as têmporas com força.

— Quando o médico me disse que ela podia engravidar, eu… eu fiquei feliz. Por tanto tempo, ela achou que o problema era com ela. Eu vi a dor nos olhos dela, quando ela descobriu que perdeu o bebê, também vi a dor quando recebeu o diagnóstico errado. Então eu pensei… — faz uma pausa, sem conseguir sustentar o raciocínio. — Eu pensei que, se ela tiver um filho, tudo ficará bem. Que ela esquecerá o resto.

— Inclusive as mentiras — Mark completa, sem rodeios.

Sem saber mais o que dizer, Hector apenas se levanta, caminha até a porta e diz com a voz abafada:

— Já vou indo.

— Espera! — Mark chama, notando a onda de pensamentos que se passam na mente do amigo. — Vamos sair, comer alguma coisa, clarear as ideias…

— Não dá — responde, sem sequer virar o rosto. — Prometi à Ava que almoçaríamos juntos.

E, sem mais palavras, abre a porta e sai.

No carro, liga o motor e dirige direto para casa. Ao entrar na sala, é recebido por Doris com um sorriso.

— Bom dia, Hector. O almoço já está pronto.

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