Entrar Via

Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 132

— Eu não vou embora, mãe — Estelle rebate, refletido um brilho decidido em seus olhos. — Se a senhora quiser ir, vá. Mas eu… vou ficar por mais um tempo.

Como se tivesse levado um tapa, Margot arregala os olhos.

— Como é que é? — sussurra, se contorcendo de raiva. — Está me desafiando? Logo você, Estelle? A garota sonsa, tímida, medrosa, que nunca teve opinião nem para escolher o próprio vestido?

— Eu posso ser tudo isso — responde, sem desviar o olhar —, mas não sou mais uma criança. Eu tenho o direito de tentar ser alguém.

— Você vai ser motivo de chacota! — esbraveja Margot, com a voz cortando como um chicote. — Acha mesmo que, com essa sua cara de sonsa, alguém vai te levar a sério? Vão rir de você, Estelle! Rir! E no fim, vai voltar rastejando para mim, como sempre fez!

— Pode tentar me humilhar, fazer o que quiser… mas eu não vou embora. Não dessa vez.

Sem dar mais espaço para a mãe, Estelle gira os calcanhares e sai dali, em direção ao quarto. Assim que entra, fecha a porta com cuidado, para não fazer tanto barulho. Depois, caminha até a cama, senta-se na beirada e, finalmente, deixa as lágrimas caírem. Ela cobre o rosto com as mãos e chora silenciosamente, com o coração doendo, mas não de arrependimento, e sim de alívio. Porque, mesmo com medo, ela fez pela primeira vez o que sempre quis: decidiu por si mesma.

[…]

Nervosa, Margot desce as escadas com os passos duros. O olhar rígido e cheio de fúria denunciava sua vontade de descontar a raiva acumulada, e ela com certeza faria isso com a primeira alma viva que cruzasse seu caminho.

Assim que chega à sala de jantar, seus olhos percorrem o ambiente. A mesa está posta, impecável. No entanto, nenhum dos donos da casa está ali.

Ela olha para o relógio da parede e bufa alto.

— Passou do meio-dia! — resmunga, indignada. — Esta casa virou uma zona! — grita, deixando o eco da voz se espalhar pelo ambiente vazio. — Ninguém aqui cumpre horários! Um verdadeiro desrespeito!

Tomada pelo impulso, marcha até a cozinha. Ao empurrar a porta, se depara com Doris e mais duas funcionárias sentadas à mesa, almoçando calmamente, enquanto uma pequena televisão sobre a bancada exibe um filme.

Chocada com a cena, Margot para por um instante. Seu sangue sobe ao rosto e seus olhos se arregalam com fúria.

— O que é isso?! — brada. — O que está acontecendo aqui?

As três mulheres se levantam imediatamente, assustadas. Doris, tentando manter a compostura, toma a frente.

— Boa tarde, senhora. A comida já está pronta e a mesa posta. Estamos apenas almoçando. Como ninguém havia descido ainda…

— Ninguém perguntou se desceram! — interrompe, com um gesto cortante. — Desde quando empregados comem antes dos donos da casa? Isso aqui, por acaso, virou um refeitório de fábrica?

Doris tenta manter a calma, mas suas mãos tremem discretamente.

— Senhora, com todo respeito, temos horários também. Trabalhamos desde cedo e precisamos nos alimentar para continuar…

— Cala a boca! — Margot esbraveja, apontando o dedo para o rosto de Doris. — Você está aqui para servir, não para sentar como se fosse dona da casa! Essa é a diferença entre mim e você. Eu nasci para ser servida. Você nasceu para servir. Se não sabe qual é o seu lugar, eu faço questão de te lembrar.

As outras duas funcionárias baixam o olhar, humilhadas, e Doris respira fundo, contendo a vontade de responder à altura.

— Você se aproveita, não é? — dispara Margot, com a voz cortante. — Está há tanto tempo nessa casa que acha que tem algum tipo de privilégio! Acha que pode agir como quiser, comer quando quiser, falar como quiser… Mas deixa eu te dizer uma coisa: você não passa de uma funcionária acomodada!

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo