— Hector… — a voz de Estelle vacila, estremecendo ainda mais ao perceber a presença firme do primo no ambiente. Ela encara os olhos confusos dele e depois se volta para Doris, que parece à beira de um colapso.
— Eu te perguntei o que acabou de dizer sobre a Doris! — ele repete, mais alto.
O silêncio que paira é rompido apenas pelo som de passos apressados. Ava surge na cozinha, com os olhos vasculhando o ambiente, até que seu olhar recai sobre Doris, que parece prestes a desmoronar.
Sem pensar duas vezes, Ava se aproxima, pousa a mão sobre o ombro da mulher e pergunta, com doçura:
— O que aconteceu aqui?
No entanto, Doris não consegue dizer nada.
Visivelmente constrangida, Estelle responde com pesar:
— A minha mãe… ela estava destilando ofensas gratuitas à Doris.
Virando-se para Margot, Ava pergunta, direta:
— Por que está fazendo isso, Margot?
Com um riso cínico e nervoso, Margot cruza os braços e solta, com desdém:
— Agora sou eu quem deve explicações? Estou tentando pôr ordem nesse lugar enquanto vocês brincam de casinha.
— A senhora ultrapassou todos os limites! — Hector intervém. — Nunca te pedi para fazer nada aqui.
— Claro que não pediu, porque está preso numa casa cheia de mulheres incompetentes. Começando por essa Doris, que nunca desgrudou de você, porque sabia que a regalia que tem aqui não encontra em mais nenhum lugar.
— Ofender qualquer pessoa nessa casa é imperdoável — diz Hector, sem desviar o olhar da tia.
— Ainda mais uma pessoa tão importante como a Doris — Ava acrescenta, com serenidade. — A Doris é essencial aqui, e ninguém faz o que ela faz com tanto cuidado e dedicação.
Trêmula de raiva, Margot vira-se abruptamente para a filha, como se ela fosse a culpada de toda aquela situação.
— Você vai se arrepender de se voltar contra mim, Estelle! — vocifera. — Ainda vai implorar para voltar para a minha sombra!
Mas Estelle, com a voz abafada, dá um passo à frente, sustentando o olhar da mãe com uma coragem que nem ela sabia que tinha.
— Prefiro viver no escuro sozinha do que à sombra de alguém que só sabe apagar a luz dos outros.
Fechando os olhos por um instante, Hector absorve o peso daquela situação e toma a sua decisão.
— A senhora deveria começar a arrumar suas malas, tia — ele diz, com frieza. — Não acredito que esse seja o momento certo para recebermos a sua visita.
Margot arqueia as sobrancelhas, ofendida, e ergue o queixo com orgulho ferido.
— Vocês vão se arrepender de não terem escutado os meus conselhos! — dispara, com amargura. — Principalmente você, Estelle! — completa, lançando um olhar de fúria para a filha, antes de se virar e sair da sala, bufando.
O silêncio que se segue é denso.
Assim que Margot se afasta, Hector lança um olhar sério aos funcionários que ainda estavam parados, observando a cena. Sua voz, embora controlada, carrega uma autoridade inquestionável:
— Peço desculpas pelo que acabou de acontecer. Por favor, podem voltar às suas atividades.

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