O barulho dos disparos explode no ar e assusta Ava, que começa a gritar em completo desespero. Hector a encara por um segundo e vê o pavor estampado nos olhos dela, ela está em choque. Tudo acontece tão rápido que ele não tem tempo de lembrá-la de que o veículo é blindado.
Sem pensar duas vezes, ele pisa fundo no acelerador e j**a o veículo com tudo contra os homens armados.
O impacto é brutal. Os dois encapuzados caem para o lado enquanto o carro avança sobre eles. Um deles rola no asfalto e o outro se arrasta tentando levantar, mas Hector já passou por cima e segue em disparada pela avenida.
— Ava, fica calma! — ele diz, tentando manter a voz firme enquanto dirige em alta velocidade.
Ela respira de forma irregular, quase sem conseguir conter as lágrimas.
— A gente vai ficar bem, tá? Confia em mim — diz ele, pegando o celular com uma das mãos enquanto continua acelerando.
— Alô? Polícia? Dois homens armados tentaram nos interceptar na Avenida Central! Estavam com submetralhadoras! Meu carro foi atingido, mas consegui fugir. Estou em movimento com minha esposa, preciso de apoio agora! — fala rápido, ofegante.
Do outro lado, a atendente pergunta detalhes e ele responde brevemente antes de encerrar:
— Sim, estou indo sentido zona sul… Está bem, vou manter a linha aberta.
Ele finaliza a chamada e respira fundo.
— Já estão vindo — murmura, enquanto continua acelerando, atento a cada cruzamento, cada sinal.
O silêncio no carro é cortado apenas pelo som do motor acelerado e pela respiração ofegante de Ava, que continua encolhida no banco, abraçando os próprios joelhos. O rosto dela está molhado de lágrimas, e as mãos tremem sem controle.
Esticando uma das mãos, ele toca o braço dela com delicadeza, sem tirar os olhos da estrada.
— Ei… está tudo bem agora. A gente está longe, já passou. — A voz dele sai mais suave, embora o coração ainda bata acelerado.
Ava apenas balança a cabeça, mas continua em silêncio. Seus olhos continuam vidrados, como se não acreditasse no que acabou de acontecer.
— Eu juro que nunca vou deixar nada acontecer com você — ele diz, quase num sussurro. — Nunca.
Ela vira o rosto devagar, finalmente o encarando. A expressão ainda é de susto, mas há um pequeno alívio quando percebe que, mesmo com o vidro trincado e os estalos dos tiros ainda ecoando na memória, eles estão vivos. Eles conseguiram escapar.
De repente, um som distante rompe àquele nervosismo: sirenes.
— Graças a Deus… — Hector murmura, olhando pelo retrovisor.
Luzes azuis e vermelhas começam a surgir atrás deles. Dois veículos da polícia se aproximam com rapidez, encostando nas laterais e sinalizando para que ele pare.
Reduzindo a velocidade, finalmente estaciona no acostamento. Assim que o carro para, ele solta o volante, como se o peso de tudo só agora o alcançasse.
Ainda trêmula, Ava desliza a mão até a dele e aperta com força. Eles se olham, sem palavras, mas com um entendimento de que algo mudou ali.
Do lado de fora, os policiais já se aproximam com armas baixas e lanternas nas mãos.
— Fica aqui — diz ele, apertando a mão dela mais uma vez. — Eu resolvo isso.
Mas antes de sair, ele volta o rosto, olha profundamente nos olhos dela e completa:
— Você é a única coisa que faz tudo isso valer a pena. E eu… eu não vou deixar nada te machucar.
E então abre a porta, saindo para encarar a confusão, enquanto, no carro, Ava fecha os olhos e finalmente permite que o choro venha de verdade.

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