Percebendo que o clima estava ficando cada vez mais tenso, Rafaela se aproxima do marido e, com a voz serena, tenta conter o fogo que ameaça explodir ali.
— Amor, por favor… agora não é o momento — pede, pousando a mão no braço dele.
— E quando vai ser, então? — Ethan rebate, com os olhos ardendo de angústia. — É a vida da nossa filha que está em jogo! Eu não vou ficar parado de novo, não depois de quase perdê-la uma vez. Se eu posso fazer alguma coisa, eu vou fazer!
— Eu sei disso. E concordo com você — Rafaela diz, firme, mas ainda tentando manter a calma. — Mas você não pode acusar o Hector assim. Ele não tem culpa do que aconteceu.
— Como não? — Ethan rebate, indignado. — Foi ele quem escondeu a minha filha, quem enrolou para acionar a polícia e prender os envolvidos naquele atentado! Eu nem sei como esse cara conseguiu convencer a Ava a se casar com ele!
— Pai, eu me casei com o Hector porque eu quis — Ava interrompe, com a voz firme, se impondo entre os dois.
— Mas por quê, filha? — Ethan pergunta, dando um passo à frente, com o coração na boca. — Me diz… você ama esse homem?
A pergunta a atravessa como um raio. Ava encara o marido por alguns segundos, sentindo o peso da verdade pulsar no peito. Como negar? Como fingir que não havia sentimento ali, quando tudo dentro dela gritava o contrário?
— Sim — ela responde, um pouco baixo, mas audível para todos. — Eu o amo, pai. Amo muito. E quando o senhor diz essas coisas sobre ele… não está machucando só o Hector. Está me machucando também.
Por um instante, Hector engole em seco. Parece que o tempo para. As palavras de Ava ecoam em sua cabeça: “Eu o amo, pai. Amo muito.”
Ele não esperava por aquilo. Não daquela forma. Não ali, diante de todos. A confissão dela o desarma por dentro. Um nó se forma em sua garganta, e os punhos que antes estavam cerrados pela raiva agora relaxam, como se todo o ódio tivesse sido dissolvido por aquela declaração inesperada.
— Eu sei dos seus motivos para desconfiar do Hector, pai — Ava continua. — Eu também me lembro muito bem do que ele representava antes de ser meu marido. Sei da rivalidade, da história entre nossas famílias…
Ela faz uma pausa, respirando fundo, encarando o pai com ternura.
— Mas depois de tudo o que ele fez por mim… de tudo o que enfrentou ao meu lado… eu sei que ele não teria coragem de fazer nada pelas minhas costas.
Ela olha para Hector rapidamente, e volta os olhos para o pai, determinada:
— Eu confio nele. E queria que o senhor, pelo menos, tentasse confiar também.
Como se estivesse tentando digerir cada palavra da filha, Ethan abaixa a cabeça por alguns segundos. Quando ergue o olhar novamente, seus olhos estão marejados, não de emoção, mas de frustração.
— Você confia nele — repete, amargo. — E isso é o que mais me assusta, Ava. Porque você sempre foi inteligente… sempre foi forte. E agora está aí, defendendo um homem que, até pouco tempo atrás, era o inimigo declarado da nossa empresa.
Ele balança a cabeça, nervoso, e passa a mão pelo cabelo com força.
— Me desculpe, mas eu não consigo simplesmente aceitar isso. Não vou aplaudir esse casamento como se fosse uma bênção, porque não é. E se um dia você abrir os olhos e perceber que confiou na pessoa errada…
Rafaela toca o braço do marido, tentando acalmá-lo, mas ele se esquiva com impaciência.
— Tudo bem, eu não vou falar mais nada sobre isso agora — diz ele, tentando controlar o tom. — Afinal, minha prioridade é você agora, filha. Vou procurar o médico e perguntar se podemos te levar para casa.

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