Assim que chegam à casa dos sogros, Hector pede que alguém prepare algo e leve para Ava comer no quarto onde ela ficaria.
— Mas por que irão comer no quarto? — questiona Rafaela, um pouco surpresa. — Podemos preparar a mesa.
— A Ava precisa descansar — ele responde, olhando para a esposa com cuidado. — Só quero que ela coma algo e relaxe. Foi uma noite longa demais.
Decidido aquilo, Rafaela e Ethan acompanham o casal até o antigo quarto da filha. Assim que ela se deita na cama, envolta por uma manta macia, Rafaela se inclina com carinho.
— Tenha uma ótima noite, minha filha. Descanse bem — diz, acariciando seus cabelos com ternura.
Logo em seguida, Ethan se aproxima e segura a mão dela, com um brilho protetor nos olhos.
— Qualquer coisa, me chama, tudo bem, meu amor?
— Claro, pai… e me desculpa por todo o transtorno — murmura.
— Não é transtorno nenhum ter você aqui — ele responde com suavidade. — Crescendo ou não, esta sempre será a sua casa. Sempre.
— Obrigada por ser tão carinhoso — diz ela, emocionada.
— Eu só quero o seu melhor, filha. Sempre.
Ele deposita um beijo demorado em sua testa antes de se afastar. Mas, ao passar por Hector, lança-lhe um olhar enviesado, cheio de desconfiança — um gesto que o genro percebe de imediato. A simples ideia de que aquele homem dividiria a cama com sua filha o deixava desconcertado.
— Tem toalhas e roupões no armário — acrescenta Rafaela, tentando manter o clima mais leve. — Se precisarem de qualquer coisa, é só chamar um dos empregados. Boa noite para você também, Hector.
— Boa noite — ele responde, frio, mas respeitoso.
Assim que a porta do quarto se fecha, Hector se volta para a esposa. Ela está deitada, com o olhar cansado e as pálpebras pesadas. Ele observa o ambiente ao redor, delicado, com tons suaves e fotos antigas sobre a cômoda.
— Belo quarto — comenta com um meio sorriso, sentando-se ao lado dela.
— Não zomba de mim — ela diz, com um sorriso sonolento, encarando a decoração que lembrava seus tempos de adolescente.
— Parece que você era muito feliz aqui — comenta, olhando ao redor com um olhar minucioso.
— Sim, eu era — ela responde, com um tom nostálgico. — Não sei o que me deu na cabeça de querer sair de casa…
— Você só estava se descobrindo — ele diz, tentando confortá-la.
— Péssima escolha que fiz — murmura. — Se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo diferente.
— Se tudo tivesse sido diferente… eu não teria a chance que estou tendo com você — ele solta, sem medir muito bem o impacto daquelas palavras.

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