Quando o dia amanhece, o casal desce para o café da manhã com os sogros. O ambiente está visivelmente mais calmo do que na noite anterior. Ethan se mostra contido e, pela primeira vez, evita qualquer comentário ofensivo.
— Vou até a delegacia ver como está o andamento das investigações — diz Hector, colocando a xícara de volta no pires.
— Eu vou com você — Ava se adianta, olhando para ele com preocupação.
— Não precisa. — Ele balança a cabeça suavemente. — Não quero que você se estresse como ontem. Deixa isso comigo.
— Seu marido tem razão — Ethan concorda, com um tom menos ríspido do que o habitual. — É melhor ficar aqui e descansar.
— Mas eu queria… — diz Ava, cruzando os braços.
— Por que não fica mais um pouco? — Hector sugere, apressado. — Mais tarde, eu passo para te buscar. O que acha?
Antes que ela possa responder, Ethan se adianta:
— Hector, por que não almoça conosco? Acho que já é hora de deixarmos certas formalidades de lado.
O convite surpreende os dois. Rapidamente, Hector lança um olhar breve à esposa, como se esperasse que ela tome a decisão.
— Se for desse jeito… então eu fico mais um pouco — ela diz, sorrindo.
— Tudo certo, então — responde Hector, tentando esconder o incômodo. — Nos vemos no almoço.
Ele se levanta e, antes de sair, se aproxima da esposa e deixa um beijo suave em sua testa. Ethan observa a cena e revira os olhos discretamente, mas Rafaela, atenta, toca o braço do marido, pedindo silêncio com um simples gesto.
— Tome cuidado, por favor — Ava pede, segurando a mão dele por um instante a mais.
— Eu vou tomar, prometo — responde ele, com um sorriso contido, e sai.
Assim que a porta se fecha, Ava encara o pai com um sorriso divertido.
— Obrigada por ser mais agradável hoje. Foi um milagre.
— Eu estou me segurando por você, filha. Só por você — Ethan resmunga, servindo mais café.
— Você devia tentar olhar o Hector com outros olhos. Ele tem mostrado diariamente o quanto se preocupa comigo.
Encarando a mesa por um momento, Ethan pondera antes de responder.
— Eu queria. Juro que queria. Mas tem algo nele… algo que me trava. Não consigo confiar de verdade.
— E o que te impede? — pergunta Rafaela, firme, encarando o marido.
— Eu não sei… talvez o passado, talvez o jeito dele. É como se ele escondesse mais do que mostra.
— Se for só devido à rivalidade entre vocês, deveria deixar isso no passado — diz Rafaela. — O que importa agora é a felicidade da nossa filha.
Ethan não responde de imediato. Apenas olha para a porta por onde Hector saiu e murmura:
— Eu vou tentar, mas faço isso pela Ava, apenas por ela.
[…]
Ao chegar à delegacia, Hector é recebido pelo delegado responsável pelo caso. Ambos caminham em direção à sala reservada, onde os documentos e imagens já estão organizados sobre a mesa.
— Senhor Moreau — começa o delegado, com um aceno breve. — Analisamos as imagens do seu veículo e das câmeras de segurança da avenida onde o ataque aconteceu. Conseguimos acompanhar o trajeto do veículo que interceptou o seu, mas infelizmente ainda não conseguimos identificar os suspeitos.

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