Sem conseguir permanecer mais tempo na cama, Hector se levanta, veste uma roupa leve de treino e decide correr um pouco para liberar a tensão no corpo. Sua propriedade era vasta, e por sorte contava com uma academia particular ao lado dos jardins, o que facilitava seus treinos matinais.
Ao sair da casa, ele logo avista Estelle e Mark juntos no pátio lateral. O sinal de alerta acende imediatamente em sua mente e ele franze o cenho, se aproximando com passos apressados.
— Bom dia. Estão indo sair tão cedo assim? — pergunta, tentando soar casual, mas com a desconfiança transparecendo na voz.
— Bom dia, Hector. Eu… eu vou entrar. — Estelle responde rapidamente, desviando o olhar e praticamente correndo para o interior da casa.
Surpreso, ele a observa e depois se volta para Mark, visivelmente confuso.
— O que foi isso?
— É que…, na verdade, não estávamos saindo. — Mark responde com um sorriso travesso. — Estamos chegando.
O olhar de Hector se estreita de imediato, e a testa franze em sinal de alerta.
— Como é que é?
— Foi exatamente o que você ouviu.
— Mark… — solta o nome do amigo num tom mais ríspido. — O que você pensa que está fazendo com a minha prima?
— Ei, calma! Não surta. — Mark ergue as mãos, rindo da situação. — Nada de mais aconteceu, beleza? Relaxe. Está indo para a academia?
— Estou.
— Então vamos juntos. Te explico tudo no caminho… Antes que você me mate por algo que nem aconteceu.
Respirando fundo, Hector tenta conter a irritação enquanto segue ao lado do amigo.
— Fala logo! — exige assim que entram na academia, já fechando a porta atrás de si.
Mark ergue as mãos, como se quisesse se proteger da pressão.
— Tá, calma. Eu chamei a Estelle para jantar lá em casa… — revela com naturalidade.
Hector cruza os braços, encarando o amigo com um olhar sério.
— Você está indo bem rápido, hein? No dia em que eu e a Ava quase fomos metralhados, vocês também estavam num jantar.
— Ei, não me julgue, tá? — Mark rebate, rindo. — Foi você quem me apresentou a sua prima, lembra?
— Sim, mas achei que você fosse mais… reservado. Daqueles que só fazem sexo depois do casamento.
— Eu nunca te disse isso! — Mark gargalha.
— Não disse, mas do jeito que vivia julgando todas as mulheres que eu te apresentava… parecia estar guardando a castidade num cofre.
— Eu só estava esperando a pessoa certa, ué.
— E essa pessoa é... a minha prima? — pergunta, com uma sobrancelha arqueada.
— Sim. É ela. — Mark responde firme, sem nenhum receio.
Hector para no meio do caminho, com o olhar fixo.
— Espera aí… então você e a Estelle… — ele começa, e de repente sua expressão muda. — Não me diga que vocês…
— Hector! — Mark o corta, rindo e balançando a cabeça. — Não aconteceu nada. Ainda.
— Ainda?! — rebate, subindo o tom.
— Calma, calma! A gente só está se conhecendo, OK? Mas sim, eu gosto dela. E pretendo levar isso a sério, até que esse momento pelo qual você tanto teme aconteça.

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