— Ah, cara… sobre a Ava… — Hector suspira, passando a toalha na nuca suada enquanto pensa na mulher que, além de dominar sua cama, dominava completamente seus pensamentos.
— Minha nossa… — Mark solta uma risada ao notar a expressão do amigo. — Vê você com essa expressão, dá até vontade de vomitar — zomba. — Está todo derretido.
— Ah, vá se ferrar — Hector rebate, percebendo o papel ridículo que estava fazendo. — E para de enrolar. Até agora, não explicou direito por que a Estelle dormiu na sua casa.
— Tudo bem, senhor apaixonado — ironiza. — Como eu disse, minha mãe e o namorado estavam lá em casa também. Conversamos tanto que nem percebemos a hora passar. Quando vi, já era mais de uma da manhã. Aí convidei a Estelle para dormir lá mesmo.
— E ela aceitou numa boa?
— Mais ou menos. Eu vi o quanto ela parecia estar com receio, então expliquei que ela dormiria no quarto de hóspedes. Como te disse antes, eu respeitei sua prima.
— É bom mesmo — murmura.
— Além disso, ela me fez prometer que eu a traria para casa antes mesmo de você acordar.
— Bom, isso não deu muito certo, né? — zomba.
— É... não deu. Hoje, você resolveu acordar mais cedo do que o normal.
— Foi a Ava que me acordou. Ela voltou a trabalhar hoje.
— Sério? — Mark ergue as sobrancelhas.
— Sim — responde, com um olhar visivelmente preocupado.
— E vocês já conversaram sobre… aquilo?
Hector balança a cabeça negativamente.
— Ainda não. Depois de tudo o que aconteceu, não tive coragem nem oportunidade de puxar esse assunto.
— Hector… não quero te pressionar, mas agora que ela voltou à empresa, é só uma questão de tempo até descobrir que foi você quem comprou as ações. Que está praticamente comandando tudo ali, mesmo em silêncio.
— Eu sei — dispara, visivelmente tenso, largando o peso que segurava com força no chão.
O barulho metálico ecoa alto pelo ambiente da academia, como se refletisse exatamente o que ele sente por dentro: o peso da culpa e o medo do inevitável.
— Mas vocês estão bem agora, não estão? — Mark insiste. — Só precisa contar para ela que fez isso porque era um babaca naquela época.
— Você acha mesmo que só isso basta? — retruca, franzindo a testa.
— Sei lá… por que não vende as ações de volta para ela?
Hector o encara com um olhar atravessado e irônico.

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