Assim que atravessa a porta principal da empresa, Ava é surpreendida por uma recepção calorosa. Funcionários de todos os setores se reúnem no saguão, com sorrisos largos e olhos marejados, aplaudindo sua chegada como se ela fosse uma verdadeira heroína retornando para casa.
— Bem-vinda de volta, senhora Smith — diz uma de suas funcionárias, com a voz reprimida de emoção.
— Obrigada… obrigada a todos vocês — responde, visivelmente tocada, lutando para conter as lágrimas enquanto recebe o carinho e os aplausos daqueles que sempre estiveram ao seu lado.
Após trocar algumas palavras e sorrisos com a equipe, ela entra no elevador rumo à cobertura. Quando as portas se abrem, é surpreendida novamente: o corredor e a entrada de sua sala estão tomados por arranjos de flores cuidadosamente dispostos. Apesar de nunca ter sido fã de flores — uma herança emocional herdada do pai —, ela sorri ao perceber o gesto. Era uma demonstração genuína de carinho.
— Bem-vinda de volta, senhora — diz Frida, sua secretária, emocionada ao abraçá-la. — Estou tão feliz em revê-la. Tive tanto medo de não poder vê-la novamente.
— E eu tive medo de nunca mais voltar a esse lugar — confessa, olhando ao redor com um misto de alívio e saudade.
Minutos depois, ao entrar em sua sala, ela pausa na porta. Tudo está exatamente como havia deixado. O perfume leve do ambiente, os objetos sobre a mesa, até o casaco dobrado sobre a cadeira… tudo parece congelado no tempo.
Uma lágrima solitária desliza por seu rosto enquanto caminha lentamente até o banheiro de seu escritório. Ao abrir a porta, é invadida por uma memória vívida: ali, diante daquele espelho, descobriu que estava grávida. Era um dos momentos mais doces da sua vida. Lembrava-se do sorriso bobo, da emoção incontida, da esperança que tomou conta de seu peito.
— Por que saí daqui tão depressa? — murmura, encarando o próprio reflexo sobre a pia de mármore fria. — E se eu não tivesse chegado mais cedo em casa naquele dia?
A pergunta ecoa como um sussurro cruel, mas sua própria consciência responde com brutalidade.
Se não tivesse voltado mais cedo, jamais teria descoberto a traição. Estaria, talvez naquele momento, casada com um homem que a enganava descaradamente. Por quanto tempo teria vivido aquela mentira? Até o fim da vida? Ou pior: e se ele tivesse um plano? E se pretendia calá-la assim que estivesse amarrada a ele por papéis e votos?
O peso dessas possibilidades aperta seu peito, sufoca seus pensamentos. O banheiro começa a parecer pequeno demais, fechado demais, pesado demais. Ela sente a respiração se acelerar, os ombros enrijecerem.
Sem pensar duas vezes, gira nos calcanhares e sai dali às pressas. Precisava de ar. Precisava deixar aquelas lembranças trancadas onde estavam. O presente exigia mais dela do que o passado poderia oferecer.
Ela caminha até a grande janela de vidro, contemplando a vista imponente da cidade. Agora, naquele momento, tudo parecia ganhar um novo significado.
— Obrigada por me permitir voltar, Deus… — sussurra, fechando os olhos e permitindo-se, por um instante, sentir a gratidão que transbordava de seu peito. — Tem coisas que ainda não consigo entender… Mas vou confiar que um dia tudo será esclarecido.
Ao encerrar sua breve oração, se acomoda lentamente na poltrona imponente de seu escritório. O couro ainda guarda o mesmo cheiro de antes, como se nada tivesse mudado, embora tudo dentro dela já não fosse mais o mesmo.
Sobre a mesa, uma pilha de cartões organizados com delicadeza chama sua atenção. Mensagens manuscritas de sócios, clientes e amigos compõem um verdadeiro mosaico de afeto e admiração. Cada bilhete carrega palavras de carinho, votos de saúde, esperança e boas-vindas.
Com um suspiro contido, ela começa a folhear um por um, absorvendo as palavras como se fossem pequenos curativos para sua alma ainda em reconstrução. Algumas mensagens são formais, outras emocionadas, mas todas revelam o impacto de sua ausência e o quanto sua presença era esperada de volta.
Ao lado dos cartões, uma série de presentes se amontoa: caixas de chocolates importados, pequenas joias delicadamente embaladas, cestas aromáticas e, para seu espanto, mais flores. Muitas flores.

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