Como estava afastada da empresa há muitos meses, o que não faltava sobre sua mesa era trabalho. Ava passa a manhã inteira mergulhada em uma pilha de documentos acumulados, muitos deles anteriores até mesmo ao seu acidente. A quantidade de pendências a preocupa, afinal, mesmo em sua ausência, o diretor-geral deveria ter assumido e resolvido boa parte daquilo.
Incomodada com a negligência, ela chama por Frida.
— Sim, senhora Smith? — a secretária responde, entrando com prontidão.
— Quero que solicite ao diretor-geral que venha até a minha sala imediatamente.
— Claro, senhora.
— E me traga um café bem forte, por favor.
— A senhora não prefere que eu traga também o seu almoço?
Ava olha o relógio e só então percebe que o horário do almoço já se aproxima.
— Tem razão… — concorda, soltando um leve suspiro. — Peça algo leve. Acho que é o excesso de papel, mas meu estômago está completamente revirado.
— Deseja que eu traga algo para o enjoo?
— Acho que é uma boa ideia — responde com um sorriso contido.
— Mais alguma coisa?
— Por enquanto, só isso, Frida. Obrigada.
A secretária sai apressada para cumprir as ordens, deixando-a recostada na cadeira, com o olhar perdido no horizonte. A sensação de desalinho paira sobre sua mente como uma nuvem pesada.
“O que uma falta de pulso forte não faz?” — se pergunta, contrariada, ao perceber o quanto sua ausência pode ter comprometido a estrutura da empresa que seu avô construiu com tanto esforço.
Sabia que precisaria reunir os acionistas o quanto antes, mas antes disso, queria ter uma visão clara, por si mesma, do tamanho do estrago. Confiar apenas em relatórios agora parecia ingênuo demais.
Alguns minutos se passam até que Frida b**e à porta, abrindo-a logo em seguida, com uma expressão tensa.
— O que houve? — Ava pergunta, endireitando-se na cadeira e franzindo a testa.
— Sinto muito informá-la, senhora… mas o diretor-geral não poderá vir.
— Oras, por que não? — questiona de imediato, cruzando os braços.
— Acabei de descobrir que ele está de férias.
— Férias?! — Ava se levanta num pulo, indignada. — Como assim, o diretor-geral dessa empresa está de férias?
— É o que a secretária dele me informou. Ele saiu há três semanas.
Caminhando até a frente da mesa, indignada, questiona:
— Três semanas?! Quem autorizou isso?
— Não sei dizer, senhora… só sei que ele registrou como férias programadas.
Ela passa a mão pela testa, tentando conter o nervoso.
— Programadas por quem? Por mim, é que não foi. E quem está ocupando o lugar dele nesse período?
— Ninguém, ao que tudo indica. Os setores estão se reportando diretamente aos gerentes de área.
— Isso é um absurdo… — murmura, entre os dentes, andando de um lado para o outro. — Frida, reúna todos os gerentes e coordenadores. Quero uma reunião emergencial ainda hoje, às três da tarde. Na sala de conferência.
— Perfeitamente, senhora.
— E peça também à contabilidade para me trazer os últimos relatórios financeiros. Quero entender o que aconteceu com o faturamento nos últimos meses. E, por favor, diga à TI que quero acesso imediato aos meus e-mails corporativos e registros internos.
— Já estou providenciando tudo.
Tentando manter o controle, Ava respira fundo.
— Obrigada, Frida. E, por favor… traga o meu café. Bem forte. Vou precisar.
— Sim, senhora.

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