Às três da tarde, Ava entra na sala de reuniões já com a expressão séria.
Todos os gerentes já estavam presentes, e a encaravam com o olhar um pouco receoso, já que a presença dela causava um pouco de temor. Embora fosse uma mulher repleta de inseguranças e medos, sempre fez questão de manter, dentro da empresa, a imagem de alguém forte, firme e determinada.
— Vamos começar. Quero o relatório de cada um. E, por favor, sem floreios. Apenas os fatos.
O primeiro a se manifestar é o gerente de marketing:
— Tivemos um crescimento de 12% nas campanhas digitais. As ações no segundo trimestre trouxeram bons resultados.
Ela anota rapidamente e acena com a cabeça.
— Próximo.
O gerente financeiro toma a palavra:
— As finanças estão estáveis. Reduzimos custos operacionais e mantivemos uma boa margem de lucro. Os investidores têm respondido positivamente.
— E os relatórios mensais? — ela interrompe.
— Alguns atrasaram no período em que a senhora estava ausente…
— “Alguns”? — ela franze a testa. — Isso não é aceitável. Quero todos atualizados até o fim da semana.
— Claro, senhora Smith.
O gerente de RH tenta aliviar o clima.
— Tivemos alguns problemas internos, confusão nas funções. Algumas pessoas assumiram responsabilidades que não eram suas…
— Isso eu percebi, obrigada. — Rebate. — A falta de comando abriu espaço para bagunça.
Um dos gerentes tenta justificar:
— É que, com a ausência da senhora, muitos não sabiam a quem recorrer. O diretor-geral delegou algumas funções de forma informal.
— E onde ele está agora?
— Férias — responde o mesmo gerente, com hesitação.
— Tirando férias em meio ao caos? Inaceitável. Ele será substituído.
O silêncio toma conta da sala por alguns segundos.
— Eu quero relatórios revisados por escrito de todos vocês. Se há sobrecarga em setores errados, isso será reorganizado. Essa empresa precisa funcionar como um relógio. — Se levanta. — Se tiverem algo a dizer, esse é o momento.
Um dos gerentes levanta a mão.
— Senhora Smith, com todo respeito, achávamos que as decisões estratégicas estavam sendo tomadas pelo novo sócio, desde que ele assumiu a parte majoritária da empresa.
— O quê? — Ela o encara. — Do que você está falando? Eu sou a sócia majoritária desta empresa.
Um silêncio desconfortável toma conta da sala. Todos trocam olhares tensos, como se estivessem pisando em ovos. Ava percebe o clima no ar, como se todos tivessem medo de dizer algo.
— Por que esse silêncio? — ela questiona, estreitando os olhos. — O que está acontecendo aqui?
Ninguém responde. Alguns olham para baixo, outros para os lados, como se esperassem que alguém tomasse a frente.
— Me digam de uma vez! — a voz dela sobe, cheia de autoridade. — O que estou perdendo aqui?
Um dos gerentes respira fundo, ajeita a gravata e levanta a mão.
Os olhos de todos se voltam para ele, que parece se arrepender imediatamente de ter feito aquilo.
— Eu… eu só repassarei o que chegou até nós… — balbucia, hesitante. — Nos chegou a informação na última reunião de diretoria, que um novo sócio estava com a maioria das ações e, portanto, tomaria as decisões.

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