As horas se arrastam e, em meio à angústia, Ava tenta manter o controle, mas a cada minuto que passa, o incômodo só cresce. Quando recebe a notícia de que o representante do novo sócio adiou o encontro, a inquietação vira certeza: tem algo muito errado acontecendo ali.
Sem pensar duas vezes, ela agarra a bolsa, atravessa o corredor com passos decididos e chama o elevador. Ao chegar, depara-se com Estelle, que parece surpresa ao vê-la.
— Já vai para casa? — pergunta, com um tom casual.
— Sim — responde, seca, apertando o botão do elevador com força.
— Posso ir com você? Estou sem carro.
— Pode.
As duas entram no elevador. O silêncio inicial é denso. Estelle percebe rapidamente que Ava não está bem, apenas por seus ombros tensos e o olhar perdido.
— Aconteceu alguma coisa?
— Tudo aconteceu hoje — ela dispara, sem rodeios.
— Imagino que não está sendo fácil retomar o controle de tudo…
— Não está — admite, olhando para frente. — Mas o pior nem é isso. O que realmente está me perturbando… é outra coisa.
Estelle franze a testa, preocupada.
— O que houve?
Com os olhos baixos, como se estivesse decepcionada com algo que mal consegue aceitar, comenta:
— Eu estou frustrada. Comigo mesma — confessa.
— Por quê?
Ela hesita por um segundo, como se estivesse medindo as palavras, até finalmente soltar:
— Porque passei a maior parte do tempo ignorando os sinais… todos eles estavam ali. E agora, tudo aponta para o meu erro.
Engolindo em seco, Estelle percebe entre as entrelinhas o que estava acontecendo.
— É algo em relação ao Hector?
Ava apenas assente, sem olhar para ela.
— Se ele fez o que imagino… eu não sei se vou conseguir perdoar.
O elevador chega ao térreo com um som metálico. As portas se abrem e as duas saem apressadas, sem trocar mais palavras. Ao entrarem no carro, Ava liga o motor, mas permanece imóvel, olhando fixamente para o volante.
Percebendo o modo como as mãos de Ava apertam o volante com força, como se aquilo fosse a única coisa que ainda pudesse controlar, Estelle estende a mão e segura a dela com firmeza.
— Ava… seja o que for, você precisa conversar com ele primeiro.
Ela vira o rosto devagar, com os olhos cheios de mágoa.
— Conversar? — repete, com a voz trêmula. — Como vou conversar com um homem que provavelmente mentiu para mim esse tempo todo?
— Sei que parece grave… mas o Hector mudou. Desde que você apareceu, eu percebi que ele não é mais o mesmo.

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