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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 153

As horas se arrastam e, em meio à angústia, Ava tenta manter o controle, mas a cada minuto que passa, o incômodo só cresce. Quando recebe a notícia de que o representante do novo sócio adiou o encontro, a inquietação vira certeza: tem algo muito errado acontecendo ali.

Sem pensar duas vezes, ela agarra a bolsa, atravessa o corredor com passos decididos e chama o elevador. Ao chegar, depara-se com Estelle, que parece surpresa ao vê-la.

— Já vai para casa? — pergunta, com um tom casual.

— Sim — responde, seca, apertando o botão do elevador com força.

— Posso ir com você? Estou sem carro.

— Pode.

As duas entram no elevador. O silêncio inicial é denso. Estelle percebe rapidamente que Ava não está bem, apenas por seus ombros tensos e o olhar perdido.

— Aconteceu alguma coisa?

— Tudo aconteceu hoje — ela dispara, sem rodeios.

— Imagino que não está sendo fácil retomar o controle de tudo…

— Não está — admite, olhando para frente. — Mas o pior nem é isso. O que realmente está me perturbando… é outra coisa.

Estelle franze a testa, preocupada.

— O que houve?

Com os olhos baixos, como se estivesse decepcionada com algo que mal consegue aceitar, comenta:

— Eu estou frustrada. Comigo mesma — confessa.

— Por quê?

Ela hesita por um segundo, como se estivesse medindo as palavras, até finalmente soltar:

— Porque passei a maior parte do tempo ignorando os sinais… todos eles estavam ali. E agora, tudo aponta para o meu erro.

Engolindo em seco, Estelle percebe entre as entrelinhas o que estava acontecendo.

— É algo em relação ao Hector?

Ava apenas assente, sem olhar para ela.

— Se ele fez o que imagino… eu não sei se vou conseguir perdoar.

O elevador chega ao térreo com um som metálico. As portas se abrem e as duas saem apressadas, sem trocar mais palavras. Ao entrarem no carro, Ava liga o motor, mas permanece imóvel, olhando fixamente para o volante.

Percebendo o modo como as mãos de Ava apertam o volante com força, como se aquilo fosse a única coisa que ainda pudesse controlar, Estelle estende a mão e segura a dela com firmeza.

— Ava… seja o que for, você precisa conversar com ele primeiro.

Ela vira o rosto devagar, com os olhos cheios de mágoa.

— Conversar? — repete, com a voz trêmula. — Como vou conversar com um homem que provavelmente mentiu para mim esse tempo todo?

— Sei que parece grave… mas o Hector mudou. Desde que você apareceu, eu percebi que ele não é mais o mesmo.

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