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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 156

Terminando de ajustar a roupa no corredor, Ava desce as escadas com o coração em frangalhos. Seus passos são apressados, mas seu olhar está distante, como se cada degrau a afastasse não só daquela casa, mas também da última faísca de esperança que havia alimentado.

— Ava! — Estelle a chama, vindo atrás.

— Espere, querida — diz Doris, com a voz aflita.

Mas ela não responde. Passa pelas duas como se não as visse, como se naquele momento só houvesse espaço para sua dor. Pega a bolsa no aparador, caminha até a garagem, entra no carro com pressa e dá partida, saindo dali como se fugisse de um pesadelo.

Enquanto dirige pelas ruas escuras e silenciosas da noite, as lágrimas que segurou por tanto tempo finalmente transbordam. Deixava que corressem livremente, como se cada uma carregasse um pouco do amor frustrado, da mágoa, da decepção.

— Como fui burra… — sussurra para si mesma, apertando o volante com força. — Como pude acreditar em tudo aquilo?

As imagens vêm à sua mente como um filme: o cuidado dele, os beijos, as promessas… e, por fim, a verdade — fria, calculada e cruel.

Ela encosta o carro em um acostamento e desaba. Chora como há muito tempo não chorava, não mais pela empresa, nem pelos jogos sujos, mas por ela mesma. Pela mulher que acreditou, que se entregou, que desejou tanto ser amada, e que mais uma vez se viu enganada.

— Eu só queria ser amada de verdade — confessa, entre soluços.

Respira fundo, limpa as lágrimas com as costas da mão e encara o próprio reflexo no retrovisor. Seu rosto ainda traz os traços da dor, mas agora também há um traço novo: determinação.

— Chega, Ava. Você precisa se reerguer. Por você. Pela mulher que ninguém mais vai controlar.

Com um último suspiro, liga o carro novamente e segue seu caminho, decidida a retomar sua vida.

Não queria ir para a casa dos pais, sabia que, ao vê-la naquele estado, os preocuparia ainda mais. Também estava com vergonha em admitir mais uma vez que o pai tinha razão sobre o homem que ela escolheu.

Precisava de um lugar onde pudesse desmoronar sem ninguém por perto. Pensou, por um instante, em ir para a antiga casa onde morava com James, mas descartou a ideia imediatamente. A lembrança da traição que testemunhou ali ainda era uma ferida aberta que preferia não tocar.

Continuou dirigindo sem rumo pelas ruas da cidade, com os olhos marejados e o coração aos pedaços. Passava por lugares familiares, mas nenhum lhe parecia seguro o suficiente para expor sua dor. Até que, de repente, como uma luz em meio ao caos, lembrou-se de um dos apartamentos da imobiliária que ainda estava em seu nome. Um lugar vazio, discreto, esquecido pelos outros, mas agora parecia o refúgio perfeito para sua solidão.

Mudou o trajeto imediatamente e seguiu em direção ao prédio. O porteiro, que a reconheceu de imediato, não questionou sua presença. Apenas abriu o portão com um gesto simpático e silencioso.

Ava subiu os andares de elevador, com as mãos trêmulas e o rosto ainda úmido de lágrimas. Assim que abriu a porta do apartamento e entrou, sentiu como se o mundo lá fora tivesse sido deixado do lado de fora. Aquele espaço pouco mobiliado, com janelas abertas para a cidade, parecia abraçá-la de um jeito que ninguém mais conseguia.

Largou a bolsa no chão, se encostou na parede e deslizou até se sentar no chão frio da sala. Ali, finalmente, permitiu-se chorar mais uma vez. Chorar pela decepção, pela raiva, pela entrega que fez, achando que estava sendo amada. Chorou por Hector. Chorou por si mesma.

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