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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 159

Quando Doris atendeu ao telefone e ouviu a voz de um médico do hospital do outro lado da linha, seu coração quase parou. A notícia de que Hector estava internado e desacordado fez seu peito apertar como se o ar tivesse sumido. Sem pensar duas vezes, saiu de casa exatamente como estava, ainda com o avental por cima da roupa simples, e entrou no carro às pressas.

Com as mãos tremendo no volante, ela disca o número de Mark.

— Doris? Aconteceu alguma coisa? — Ele atende de imediato, com a voz tensa.

— Sim, Mark… aconteceu uma coisa horrível — responde, já com a voz chorosa. — Me ligaram do hospital… disseram que o Hector está internado.

— Internado?! Como assim? O que aconteceu com ele?

— Eu não sei! — ela diz, chorando. — Só disseram que ele está desacordado. Meu Deus, Mark… estou com tanto medo.

Do outro lado da linha, o silêncio de Mark dura apenas alguns segundos.

— Em que hospital ele está?

— No Central. Estou indo para lá agora.

— Eu também. Saindo neste instante. Nos encontramos lá, está bom? Força, Doris.

Ela desliga sem conseguir dizer mais nada, pisando no acelerador enquanto tenta conter as lágrimas que não param de escorrer.

Quando chega, estaciona o carro de qualquer jeito na entrada do hospital. Mal consegue respirar direito enquanto atravessa o saguão com passos apressados, tentando conter a aflição. No balcão da recepção, mal consegue articular as palavras.

— Hector Moreau… me disseram que ele está aqui — diz, entre soluços.

A atendente, ao ver o desespero estampado no rosto da mulher, rapidamente a direciona para o andar da UTI semi-intensiva.

Doris atravessa o corredor com o coração aos pulos. Quando finalmente chega à porta do quarto e empurra com cuidado, a cena que vê a faz perder o chão por alguns segundos.

Hector está deitado, inconsciente, com o rosto inchado e marcado. Há um curativo recente na lateral da testa e alguns hematomas ainda roxos no rosto. O som dos monitores preenchendo o ambiente é a única coisa que indica que ele ainda está ali… vivo.

Ela se aproxima lentamente, como se tivesse medo de tocá-lo. Quando alcança a beira da cama, seus joelhos quase falham. Ela segura a mão dele, como fazia quando ele era apenas um garotinho machucado.

— Ai, meu filho… — sussurra, enquanto as lágrimas escorrem livres por seu rosto. — O que foi que fizeram com você, hein?

Ela passa a mão livre com delicadeza pelo cabelo dele, tentando conter o tremor da própria mão.

— Você pode ser cabeça dura, orgulhoso, impulsivo… mas você é meu menino… é meu filho… e nada no mundo me preparou para te ver assim, desse jeito.

O choro que ela tenta conter finalmente escapa em soluços altos, misturados ao som constante dos bipes dos aparelhos.

— Por favor, Hector, acorda. Volta para mim. Me dá uma bronca, fala que eu me meto demais, que falo demais… qualquer coisa, mas me responde. Fica comigo.

Ela encosta a cabeça na mão dele, desesperada, enquanto as lágrimas continuam molhando o lençol branco.

— Eu não me importo se você nunca me chamar de mãe… mesmo que isso machuque, mesmo que meu coração sangre em silêncio toda vez que você me olha como se eu fosse apenas mais uma. — Murmura, com o dedo ainda entrelaçado ao dele. — Eu aguento… eu juro que aguento. Mas o que eu sei que não suportaria… — ela fecha os olhos com força, tentando conter o choro — é ficar longe de você, meu filho.

As palavras escapam entre soluços, rasgando o silêncio do quarto.

O choro de Doris ecoa no ambiente, cru e dolorido, expondo toda a sua amargura, a culpa e o desespero que ela tentava esconder há anos. Era ali, diante daquele corpo vulnerável, que toda a fortaleza que ela construiu se desfazia por completo.

Ver Hector daquele jeito — logo ele, tão cheio de presença, tão altivo, tão duro — entregue à fraqueza de um leito com tubos, curativos e sem nenhuma palavra de resposta… aquilo a desmoronava por dentro.

— Você pode me odiar se quiser — afaga de leve a testa dele — mas, por favor, me dê algum sinal de que está me ouvindo. Pisca os olhos, aperta minha mão… qualquer coisa. Só não me deixe aqui sozinha com esse medo.

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