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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 161

— E a Estelle? — pergunta Mark, quebrando o silêncio. — Sabe se ela chegou a conversar com a Ava?

— Não… ela não voltou para a empresa desde então — responde, soltando um suspiro. — Disse que está com muita vergonha por tudo o que aconteceu. Quer esperar o Hector acordar e resolver as coisas com a Ava antes de decidir o que fazer da própria vida.

— Ela não deveria sentir vergonha, não teve culpa de nada — comenta ele, balançando a cabeça. — Mas a Estelle é tão meiga, tão sensível, que carrega nos ombros a dor de todo mundo à sua volta.

— Sim… — concorda Doris com um sorriso triste. — Ela é uma ótima moça, de coração puro.

— Com tudo o que aconteceu com o Hector, eu não tive tempo e nem cabeça para ir vê-la — admite.

— Não se preocupe com isso, acredito que ela entende muito bem o motivo.

— Tenho certeza de que entende — concorda. — Ela também é muito compreensiva.

Com um olhar levemente curioso, Doris o encara por um instante.

— Você está gostando dela, não é?

— Estou, sim — confessa, sem hesitar. — Muito.

— Vocês combinam… — Um pequeno sorriso brota nos lábios de Doris. — Do mesmo jeito que acho que o Hector e a Ava combinam também… — Mas o sorriso logo se apaga em seu rosto, dando lugar à melancolia.

— Não fica assim — Mark pede, tocando suavemente a mão dela. — Quando ele acordar, tenho fé de que vai tentar consertar tudo.

— Também torço por isso… — sussurra. — A casa estava tão em paz, sabe? Os dois estavam felizes… Você precisava ver.

— Eu percebi só pela mudança no olhar dele… na forma como falava dela. Ele estava diferente.

Os dois se calam por um instante, compartilhando o peso de tudo aquilo. Até que Mark sugere:

— Por que você não vai para casa, toma um banho e descansa um pouco? Eu fico com ele esta tarde.

— Não quero sair do lado dele…

— Eu sei. Mas você precisa estar forte quando ele acordar. E ele vai acordar.

Mesmo hesitando por um momento, ela assente.

— Você tem razão… Vou tomar um banho, pegar algumas roupas para ele e já volto. Me liga se qualquer coisa acontecer, por favor.

— Pode deixar. Vai tranquila.

Ela se levanta devagar, lança um último olhar para o filho e, com o coração apertado, sai do quarto.

Assim que Doris deixa o quarto, Mark se aproxima da cama, encosta a mão no ombro do amigo e fala em voz baixa, com o coração apertado:

— Vamos lá, irmão… Você sempre foi forte. Está na hora de acordar. A gente precisa de você aqui.

[…]

Enquanto permanece sentado ao lado da cama do amigo, Mark mantém o notebook sobre as pernas. Fixando seus olhos nela, lê artigos médicos sobre casos semelhantes ao de Hector. Ele revê laudos, analisa sintomas, compara prognósticos. Tenta, de algum modo, encontrar algo que ainda não tenha tentado, qualquer sinal, qualquer possibilidade de avanço.

Mas, por mais que se esforce, os dados clínicos continuam implacáveis: a pancada, embora aparentemente superficial, atingiu uma área sensível do crânio, provocando um trauma que exigia paciência… e tempo. Coisas que o desespero não sabe esperar.

Suspirando, ele fecha o notebook e olha para Hector, deitado, imóvel. O amigo que sempre foi força e orgulho, agora parecia um menino frágil, à mercê do destino.

— Sempre me preocupei com os meus pacientes… mas você não é qualquer paciente, Hector. Você é meu amigo, meu irmão. Então, acorde logo e me prove mais uma vez que nada te derruba por completo — diz ele.

Por um instante, o silêncio persiste. Só os sons ritmados dos aparelhos preenchem o ambiente.

Mas então… um leve movimento. Os dedos de Hector se contraem de forma quase imperceptível, e sua pálpebra treme, como se lutasse contra o peso do mundo.

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