— Grávida? — Ava pergunta, ainda surpresa.
— Sim, querida. E as boas notícias não param por aí. — Ela gira o monitor lentamente, apontando para a imagem em preto e branco. — Olhe aqui. — acrescenta. — São dois. Você está grávida de gêmeos, Ava.
A jovem leva a mão à boca, já com os olhos se enchendo de lágrimas.
— Eu não acredito… — sussurra, visivelmente emocionada. — Mas você disse que isso era praticamente impossível.
— Não, eu não disse isso. — Helena rebate, ainda mantendo o tom doce. — Na verdade, você nem me deixou terminar naquela consulta. Apenas saiu correndo do consultório.
— Oh, meu Deus… — murmura, com o olhar fixo nas pequenas figuras no monitor. — Gêmeos? Vou ser mãe de gêmeos…
— Sim. — confirma a médica, contendo um brilho ensaiado nos olhos. — E, como são gêmeos, precisamos de um ultrassom mais detalhado, com Doppler. Ele vai nos mostrar como está o fluxo sanguíneo entre eles e avaliar o volume de líquido amniótico de cada um. É um procedimento comum, principalmente em gestações gemelares.
Ava apenas assente com a cabeça, sem conseguir desviar o olhar da tela. Havia uma doçura rara naquele momento. Um instante de paz após semanas turbulentas. Mas Helena, enquanto prepara os equipamentos para a nova etapa, mantém o semblante mais atento e calculista.
— Vamos fazer isso agora mesmo, tudo bem? É melhor garantirmos que está tudo perfeitamente normal. — diz, enquanto aplica novamente o gel e ajusta o aparelho.
Por dentro, Ava sente um calor invadir o peito. Pela primeira vez em dias, o sentimento de amor supera a dor. Ela estava criando duas vidas. E mesmo que tudo ao seu redor tivesse desmoronado, aquilo era real.
Mas Helena não parecia compartilhar da mesma paz interior. Conforme o exame avança, seu rosto muda. Os olhos estreitam, a postura se contrai levemente, e ela morde o lábio inferior antes de falar.
— Hum… tem algo aqui que preciso observar com mais cuidado…
— O que foi? — Ava pergunta, apreensiva.
— Pode ser só uma variação comum… mas estou notando uma leve discrepância entre os volumes de líquido amniótico. E um dos fluxos arteriais está um pouco alterado.
Ela pausa, solene, antes de concluir:
— Pode ser o início de uma condição chamada Síndrome da Transfusão Feto-Fetal.
Com o corpo tenso, Ava arregala os olhos.
— O quê?
— Não vamos tirar conclusões precipitadas. — A médica apressa-se em dizer, com voz macia. — Pode ser apenas um estágio inicial. Mas se isso for confirmado, precisaremos conversar com urgência. Essa condição é séria, Ava. Muito séria.

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