Quando está prestes a dar partida em seu carro, Ava nota um veículo estacionando algumas vagas adiante. Reconhece imediatamente: é o carro de Doris. Instintivamente, observa com discrição enquanto a mulher desce, com uma expressão visivelmente abatida.
“O que será que ela está fazendo aqui?” — pensa, surpresa, lembrando-se de como era raro Doris sair de casa.
Tomada por uma curiosidade difícil de conter, Ava desce do carro e, mantendo certa distância, decide segui-la. Vê Doris entrar no elevador e rapidamente presta atenção ao número do andar em que ela para. Quando o elevador retorna, ela entra e aperta o mesmo botão.
Ao sair, percebe que está no andar de internação. Com o coração acelerado e um pressentimento incômodo, aproxima-se discretamente do balcão de informações.
— Boa tarde… — diz, tentando soar casual. — Você poderia me informar para onde foi a senhora que acabou de sair do elevador?
— Boa tarde — responde a recepcionista com um leve sorriso. — Está falando da Dona Doris, certo?
— Sim, ela mesma.
— Ela está no quarto 202 — informa, consultando a tela à sua frente.
Ava hesita por um instante antes de continuar:
— Ela está visitando alguém?
— Na verdade, não. Ela está como acompanhante de um paciente.
Mesmo sem querer se envolver, sente-se, de repente, mergulhada naquela situação. Algo a puxa para mais fundo.
— E quem é o paciente?
A recepcionista consulta novamente a tela, até encontrar o nome.
— Senhor Hector Moreau.
De repente, Ava fica imóvel, digerindo a informação que acaba de receber.
— Obrigada — diz, se afastando discretamente do balcão.
“O que o Hector está fazendo aqui?” — pensa, confusa. Frida havia comentado que ele esteve no hospital duas semanas antes, após uma pancada na cabeça.
“Mas fui eu quem o empurrei… será que aquilo foi tão grave assim?” — questiona-se, enquanto caminha em direção ao elevador.
Quando está prestes a apertar o botão para sair dali, hesita. Algo dentro dela a impede de simplesmente ir embora. Sem pensar muito, decide ir até o quarto 202.
Com passos lentos, percorre o corredor silencioso. Ao se aproximar da porta, leva a mão até a maçaneta, mas para subitamente quando vê ela se mover. Assustada, recua e se esconde no corredor lateral, com o coração acelerado.
De onde está, observa em silêncio enquanto a porta se abre. Primeiro, Doris sai. Em seguida, Hector aparece.
O mundo dela parece congelar por um instante.
Ele está visivelmente mais magro, usando roupas hospitalares, seus olhos, além de estarem com olheiras profundas, carregam hematomas de algum ferimento ou pancada.
— Meu Deus… — sussurra, tapando a boca com a mão para não deixar escapar nenhum som.
Fica imóvel, escondida, observando, sem ser vista. Uma avalanche de sentimentos a invade: culpa, dor, surpresa… e um medo que ela não sabe nomear.
Os dois passam sem notar sua presença, e ela, ainda escondida, consegue ouvir parte da conversa.
— Tem certeza de que já consegue caminhar? — pergunta Doris, andando ao lado dele com evidente preocupação.

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