Com a cabeça cheia de dúvidas, Ava dirige de volta para a casa dos pais. O coração ainda estava pesado e o pensamento dividido entre a razão e o sentimento. Assim que entra na sala, dá de cara com o pai, que se levanta imediatamente ao vê-la, revelando estar à sua espera.
— E aí, minha filha? Como foi? — pergunta Ethan, com um tom ansioso.
Ava caminha até o sofá, solta a bolsa ao lado e respira fundo antes de responder:
— Acho que o Hector está mesmo tentando se redimir.
— O que ele fez? — indaga, atento.
— Devolveu as ações da empresa.
— Sério? — pergunta, arregalando os olhos.
— E não foi só isso… — continua ela, com um leve sorriso de incredulidade. — Ele transferiu todo o patrimônio dele para mim. Inclusive a própria empresa.
Visivelmente surpreso, Ethan se endireita.
— Como assim?
— Acredita que eu fiz exatamente essa pergunta? — responde, tentando quebrar o clima com um toque de leveza.
Ethan se aproxima devagar, senta-se ao lado da filha e passa a mão pelo queixo, pensativo.
— E o que ele te pediu em troca?
— Nada, pai. Nenhum acordo. Nenhuma condição. Ele só pediu desculpas… Disse que essa foi a forma que encontrou de tentar compensar todo o mal que me causou.
Ainda tentando processar a informação, Ethan balança a cabeça.
— Isso parece loucura… Estamos falando do Hector Moreau. Um dos homens mais ricos e mais orgulhosos do país.
— Eu sei — ela murmura, com os olhos baixos.
— E, além de tudo, ele amava aquela empresa como se fosse a própria vida.
Ela assente lentamente.
— O senhor tem toda razão.
O silêncio paira entre os dois por alguns segundos. Ethan observa a filha com atenção, enquanto ela encara um ponto fixo na parede.
— O que o senhor acha que isso significa? — pergunta, finalmente, voltando o olhar para ele.
Segurando a mão da filha, responde com a voz serena e o olhar firme:
— Parece que ele realmente te ama, Ava. De verdade. Porque ninguém abre mão de tudo… se não for por amor.
Ouvindo as palavras do pai, sente como se o tempo tivesse parado. “Ninguém abre mão de tudo se não for por amor.” Aquela frase ecoa dentro dela, misturando-se à lembrança da carta, das lágrimas que segurou no escritório e do vazio que sentiu ao assinar os documentos.
— Eu não sei o que pensar, pai… — murmura. — Parte de mim quer acreditar que tudo isso é sincero. Mas tem outra parte… que ainda tem medo de cair de novo.
— Medo é natural, filha. Mas às vezes… o maior risco é não se permitir tentar. Só você pode saber se esse amor ainda vale ser vivido. Mas o que quer que decida, saiba que não está sozinha.
Ela sorri de leve, com os olhos marejados, e encosta a cabeça no ombro do pai por alguns segundos, como fazia quando era criança.
— Obrigada por isso… por me ouvir — diz ela, com a voz abafada.
— Sempre estarei — responde, com ternura no olhar.
— E a mamãe? — pergunta, olhando em volta.

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