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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 170

No quarto de hospital, Hector caminha de um lado para o outro, inquieto. Os passos lentos e impacientes refletem a tentativa frustrada de afastar os pensamentos que o cercam; insistentes, sufocantes, inevitáveis.

— Você precisa se acalmar — diz Doris, sentada na poltrona ao lado da cama, observando-o com preocupação.

— Já cansei de ficar preso aqui — retruca, sem parar de andar.

— Eu sei — ela responde calmamente. — Mas o médico foi claro: ainda é preciso ficar em observação por mais alguns dias.

— Mas esse lugar me sufoca, Doris. Essas paredes, esse silêncio… tudo aqui me lembra o que eu posso perder.

Ela suspira, mantendo a paciência.

— Eu entendo. Mas, nesse momento, a sua saúde precisa vir em primeiro lugar.

Parando por um instante, ele encara a janela fechada e respira fundo.

— Eu até penso nisso, penso em melhorar… mas agora isso não é suficiente. O que me consome é não saber o que está acontecendo com a Ava. Meus advogados já deviam ter me dado alguma resposta. E se ela… se ela não quiser mais saber de mim?

— Hector… — Doris diz, com delicadeza — o que tiver que ser, será.

Ele solta um riso amargo.

— Queria conseguir acreditar nisso. Mas se ela não me perdoar… o que vou fazer da minha vida, hein? Me diz? Sei que não devo esperar pelo seu perdão, mas eu não consigo me imaginar sem ela.

O desespero em sua voz deixa Doris visivelmente abalada. Por mais que estivesse feliz em vê-lo finalmente apaixonado, algo que por tanto tempo pareceu impossível, também sentia um medo sutil, medo do que aconteceria com ele se Ava o descartasse.

“Como ele lidará com a rejeição?”

Ela não tinha essa resposta. E isso a deixava inquieta. Conhecia bem o coração de Hector, nunca o viu tão vulnerável, tão à beira de um precipício emocional. O medo de vê-lo despencar era real. E ela não sabia se conseguiria segurá-lo, caso Ava o empurrasse para longe de vez.

Alguns minutos depois, a porta do quarto se abre. Os dois advogados entram em silêncio, com expressões neutras demais para o momento.

Hector se endireita de imediato, revelando o olhar ansioso.

— Não façam suspense. Me digam logo o que ela disse.

O mais velho dos dois dá um leve suspiro antes de responder:

— Ela… não disse nada, senhor.

— Nada? — repete Hector, confuso.

— A senhora Smith apenas leu os documentos, assinou todos e se despediu de nós. Sem nenhuma reação… nem uma palavra.

O silêncio pesa como um golpe. Hector aperta os punhos, sentindo-se mais tenso.

— Ela leu a minha carta?

— Sim, senhor. Com atenção. Do começo ao fim.

Ao engolir em seco, sente a garganta arder. A esperança, que ainda lutava para existir, começa a vacilar.

— E mesmo assim… — sussurra, mais para si do que para os outros, sentindo o vazio da ausência de resposta como um corte invisível.

Doris observa em silêncio. Não há palavras que possam suavizar o que aquele silêncio de Ava poderia significar dali em diante.

— Tudo bem. Obrigado por tudo — diz ele, tentando manter a compostura. — Vocês fizeram exatamente o que pedi. Sou grato por isso.

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