— Grávida? E... de gêmeos? — Hector pergunta, surpreso. Ele ainda tenta processar a notícia, como se o mundo ao redor tivesse desacelerado.
— Sim… — responde com receio. — Você não gostou de saber?
— Não é isso! — ele se apressa em dizer, com os olhos marejados. — Eu amei… Amei muito! — E a abraça com força, sem conseguir conter as lágrimas. Ela se entrega ao abraço, chorando junto, sentindo o peso da emoção que os unia de novo.
— Eu estou feliz demais, Ava… — ele sussurra, afastando-se e olhando fundo em seus olhos. — Mas eu preciso ser sincero com você. — A voz baixa denuncia o medo de revelar mais um erro.
Confusa, Ava franze a testa.
— Como assim?
— Eu sabia que havia a chance de você engravidar… — confessa.
— Sabia? — ela pergunta, sem entender. — Como poderia saber disso, se nem eu mesma tinha certeza? A doutora Helena deixou claro que seria muito difícil…
— Por favor, não me julgue pelo que vou te contar agora… — ele pede, com o olhar aflito. — Quando te vi naquele dia no hospital, chorando… eu não consegui ficar parado. Sem o seu consentimento, fui atrás da doutora Helena.
— Você foi falar com a minha médica? — questiona, surpresa e decepcionada.
— Sim… Eu só queria entender o que estava acontecendo e tentar ajudar de alguma forma. Sei que foi invasivo, mais uma vez eu tentei fazer o certo da maneira errada.
Ela respira fundo para manter a calma.
— Continue — diz, firmemente.
— Quando conversei com a doutora, nada do que ela dizia parecia verdadeiro para mim — ele confessa, com o olhar distante.
— Por quê? — pergunta, sentindo um aperto no peito.
Hesita por um segundo, como se escolhesse as palavras com cuidado.
— Por favor, Hector… não me esconda nada — pede, com a voz baixa.
Diante do olhar sincero da esposa, decide ser direto. Ele solta o ar com força e enfim revela.
— Ela deu em cima de mim. E não foi algo sutil. Foi direto, desconfortável… completamente antiético, ainda mais sabendo quem eu sou. Ela sabia que sou seu marido, que vocês se conhecem há anos… e mesmo assim, agiu com deslealdade.
Surpresa, ela arregala os olhos. A notícia a atinge como um tapa.
— Eu não queria te contar isso desse jeito — ele continua, com pesar —, mas você precisa saber. Não era só a forma como ela falava das suas condições… era o comportamento dela. Tinha algo errado ali. Desde o início.
Boquiaberta, Ava fica alguns segundos em silêncio, surpresa demais para reagir.
— Então eu disse a ela que iria te levar a outro especialista… alguém de confiança, para ouvir uma segunda opinião. — Ele prossegue.
— Por que nunca me contou? — pergunta, surpresa.
— Porque tive medo — admite, baixando os olhos. — Medo de que você me julgasse, de pensar que eu estava invadindo a sua vida. Eu só queria te ajudar… de algum jeito. Mas, como sempre, acabei escolhendo o caminho errado.

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