Puxando-a pela cintura, cola seus corpos, e a beija. Não havia hesitação, nem espaço para dúvida, só a urgência de quem passou dias sufocando o desejo e a saudade.
Ava retribui com a mesma intensidade, deixando escapar um suspiro entre seus lábios. Aquele beijo era mais do que perdão, era entrega. Era tudo o que não viveram nos dias de distância, agora transbordando num só gesto.
As mãos dele sobem pelas suas costas, firmes, como se quisesse garantir que ela não escaparia de novo. As dela, em seu rosto, buscavam o calor que tanto sentiu falta.
Nenhum dos dois queria soltar. Naquele beijo, estava a certeza de que ainda se pertenciam.
— Hector… eu estava com tanta saudade de você — ela sussurra, emotiva.
— Não mais do que eu — responde, com um olhar que transborda amor.
— Quando você vai sair daqui? — pergunta, acariciando os dedos dele com delicadeza.
— Acredito que amanhã — responde, fechando os olhos por um instante, como se aquele simples toque dela tivesse o poder de curar qualquer ferida.
Percebendo que estavam em pé há tempo demais, ele a guia até a cama e a deita ali, com cuidado.
— Acho que isso é contra as regras — ela diz, com um meio sorriso.
— Que se danem as regras — ele rebate, caminhando até a porta, trancando-a com a chave. Em seguida, volta até ela e a beija de novo, sem pedir permissão.
— Eu te amo, Ava — murmura entre os beijos.
Ela fecha os olhos, lembrando-se do dia em que ele disse isso pela primeira vez e do que aconteceu logo depois. Por isso, o abraça com mais força e abre os olhos devagar, sentindo a força do momento.
— Eu também te amo. Muito. Mais do que consigo dizer.
Sem perder mais tempo, ele se deita ao lado dela e volta a beijá-la, como se o tempo e o mundo simplesmente não existissem para os dois.
— Não inventa de fazer nada aqui — ela diz, ao perceber que ele começa a subir sua blusa.
— Por que não? Eu tranquei a porta.
— Eu sei… mesmo assim, é meio estranho — confessa, baixando o olhar.
— Estranho por quê?
— O quarto… a cama pequena…
— Se quiser, posso apagar as luzes para você não ver o quarto — provoca, com um sorriso malicioso. — E quanto à cama, não precisa se preocupar. Vou te colocar em cima de mim.
— Hector… — ela murmura, com as bochechas coradas, desviando o olhar.
— Nunca teve um fetiche desses? — ele provoca, com um sorriso maroto.
— Eu? — ela ri alto, balançando a cabeça. — Nunca! Você que é o criativo da relação.
— Eu senti falta disso, sabia?
— Disso o quê, exatamente?
— Da nossa proximidade. Da sua voz, do seu riso… e das suas bochechas coradas assim.
— E eu senti falta do seu calor, da sua voz… do seu jeito descarado de inventar coisas nessas horas — ela diz, com um sorriso cúmplice. — Eu quero que, daqui para frente, tudo mude entre nós.
— Que seja assim — ele concorda. — Sem mentiras, sem joguinhos. Prometo que vou sempre te dizer a verdade… mesmo que doa.
— Eu também prometo — ela responde, encarando-o com sinceridade nos olhos.
Os dois permanecem deitados por alguns minutos, em um silêncio confortável, até que Ava decide abrir o coração.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo