Com tudo começando a se resolver, Ava fez questão de passar a noite ao lado de Hector. Os dois conversaram, riram e, o mais importante, foram se libertando pouco a pouco do peso das mentiras que os cercaram durante tantos meses.
Pela manhã, ela despertou cheia de expectativas. Em poucas horas, teria a tão aguardada consulta com a doutora Hills.
— Quando Doris chegar, vou explicar tudo o que ela precisa fazer ao te acompanhar — disse Hector, enquanto a observava se arrumar.
— Obrigada.
— Tem certeza de que não quer que eu vá com você?
— Tenho. Pode ficar tranquilo.
— Tudo bem… de qualquer forma, vou ficar por perto. E vou pedir para o Mark fazer o mesmo.
— Vai dar tudo certo — tenta acalmá-lo. — Agora vou para casa dos meus pais, trocar de roupa. Daqui a pouco eu volto.
— Vá com cuidado — pediu ele, antes de puxá-la para um beijo de despedida.
Assim que atravessa o corredor, Ava encontra Doris, que está chegando ao hospital. Na noite anterior, Hector havia sugerido que ela descansasse um pouco, já que Ava passaria a noite com ele.
— Bom dia, Doris. Como está?
— Bom dia, Ava. — Ela sorri com sinceridade. — Acho que nunca estive tão bem.
— Fiquei sabendo da reconciliação com o Hector e quero que saiba que isso me deixou muito feliz.
— Sei que está, querida. — Doris se aproxima e toca a sua mão. — Parte disso eu devo a você. Se não tivesse descoberto toda a história, eu talvez nunca tivesse coragem de contar a verdade para o meu filho.
— Parece que todos nós tiramos boas lições de tudo o que aconteceu. Teve muita coisa errada… mas que nos empurrou a fazer o certo.
— Sim. — Doris observa o rosto dela com carinho. — E pelo seu olhar, vejo que vocês dois se acertaram.
— Ah, Doris… eu estou tão feliz.
— Que bom, minha filha. A partir de agora, espero que tudo siga na mesma paz.
— Ainda falta uma última peça para tudo ficar no lugar — Ava comenta. — E vou precisar da sua ajuda.
— O que é?
— Preciso que me acompanhe em uma consulta médica.
— Você está doente? — pergunta, preocupada.
— Não, não. — Se apressa em responder. — O Hector vai te explicar direitinho quando você entrar no quarto.
— Tudo bem.
— Cuide dele para mim. — Pede, abraçando Doris, que fica visivelmente tímida e emocionada.
— Pode deixar.
— Nos vemos daqui a pouco.
Após Ava entrar no elevador, Doris segue pelo corredor, entra no quarto e logo percebe: o semblante do filho está diferente. Mais leve. Em paz. E, enfim, completo.
— Bom dia, Hector — diz ela, ainda um pouco tímida.
— Bom dia — ele responde, abrindo um sorriso antes de se aproximar para abraçá-la.
O gesto a pega de surpresa. Ela demora alguns segundos para reagir, mas quando o faz, fecha os olhos e corresponde com carinho reprimido.
— Conseguiu descansar? — ele pergunta, ainda a abraçando.

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