Quando chega em casa, Ava entra na sala e logo é recebida com carinho pela família, que a esperava unida.
— Bom dia, filha! — Rafaela se adianta e a abraça com tanta força que parecia querer guardá-la nos braços.
— Bom dia, mãe — retribui o abraço, sentindo uma vontade enorme de chorar. — Eu senti sua falta.
— Não mais do que senti a sua, minha filha — responde, apertando ainda mais. — Quando seu pai disse que você esteve aqui ontem, fiquei tão feliz!
— Prometo que vou aparecer com mais frequência.
— É bom mesmo que faça isso! — diz com um sorriso carinhoso. — E, aliás, precisamos separar pelo menos dois dias no mês para fazermos compras e jogarmos conversa fora.
— Prometo que vou me organizar, mãe.
— Não acho que vocês devam sair por aí enquanto o comparsa do James não for preso — David interfere, se aproximando para também abraçar a irmã.
— Seu irmão tem razão — Ethan concorda, sério. — Enquanto esse desgraçado estiver solto, ninguém pode baixar a guarda.
— Tudo bem — Rafaela concorda. — Mas vamos deixar esses assuntos pesados de lado por enquanto. É cedo, estamos em família… Vamos tomar café da manhã em paz, combinado?
Todos seguem para a mesa de jantar, onde o café já está servido. Enquanto se acomodam, Ava decide compartilhar a novidade.
— O Hector vai receber alta hoje.
— E como ele está? — Rafaela pergunta, um pouco apreensiva.
— Ele está bem. De madrugada, o médico que o acompanha apareceu e me tranquilizou. Não há com o que se preocupar.
— Que alívio — Ethan comenta, soltando o ar com mais leveza. — Espero vê-lo em breve… Quero pedir desculpas por tudo.
— Precisa mesmo, já que você agiu como um animal — completa Rafaela, lançando um olhar reprovador para o marido.
— Não foi a senhora que disse que não queria assuntos pesados à mesa? — David questiona.
— Tudo bem — ela suspira, sentindo-se caindo em sua própria armadilha. — E como foi com ele ontem? — Insiste, agora mais serena, encarando a filha.
— A gente se resolveu — Ava sorri. — Tudo está em seu devido lugar agora.
— Graças a Deus — Rafaela murmura, tocando a mão da filha com carinho. — Eu pedi tanto a Ele por isso…
— Eu queria que hoje à noite jantássemos todos juntos. O que acham? — propõe Ava, com um sorriso.
— É uma ótima ideia — David se adianta. — Ainda mais porque vou viajar de madrugada e só volto daqui a uns vinte dias.
— Fiquei sabendo que sua empresa vai receber um prêmio… Meus parabéns, irmão. — diz Ava, orgulhosa.
— Obrigado, maninha.
— Então vou pedir que preparem mais dois lugares à mesa para o jantar — comenta Rafaela, animada.
— Três, mãe — corrige-a, sorrindo. — A mãe do Hector também virá.
— A mãe dele? — Rafaela franze o cenho, surpresa. — Quem é a mãe dele?
— O nome dela é Doris e...
Ava começa a explicar com naturalidade, e a conversa flui leve, gostosa, como sempre deveria ter sido. Ela ainda não menciona a gravidez, guardando a revelação para o jantar em família, onde todos estariam reunidos.
Quando o café termina, ela sobe, se arruma e se despede:
— Vou voltar ao hospital. Nos vemos à noite.
— Vá com cuidado, querida — diz Ethan, carinhoso.
Ao sair, ela dirige com atenção, percebendo pelo retrovisor a presença discreta do veículo com os dois seguranças que seu pai havia contratado para protegê-la.
Assim que chega ao hospital, sobe até o quarto e encontra Hector e Doris já à sua espera.
— Como foi com os seus pais? — Hector pergunta, enquanto envolve os braços em sua cintura, com carinho.

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