O dia começa cheio de expectativas. O sol ainda nem tomou conta do céu quando Ava desperta com o calor do corpo de Hector, abraçado por trás, o rosto colado à curva do seu pescoço, respira com uma calma que contrasta com a onda de pensamentos que ela carrega.
Tentando se desvencilhar com delicadeza, ouve o resmungo dele, puxando-a de volta para os seus braços.
— Já está tentando fugir de mim, senhora Moreau? — murmura com a voz rouca da manhã.
— Não acha que já teve muito de mim? — ela provoca, rindo baixinho.
— Eu nunca vou me sentir satisfeito, tendo uma mulher como você na minha cama.
Ela se vira devagar, encontrando olhos intensos lhe fitando. Por um breve momento, quer esquecer o relógio, as responsabilidades e até mesmo a consulta marcada. Mas a imagem dos dois coraçõezinhos em sua barriga pulsa em sua mente.
— Hector… precisamos sair — ela lembra, com carinho, afastando uma mecha de cabelo da testa.
— Eu não me importo de nos atrasarmos um pouquinho — ele sussurra com um sorrisinho desavergonhado, descendo os lábios até seu ombro.
— Eu também não me importaria… se fosse algo trivial. Mas estamos falando de uma consulta importante. Precisamos saber a verdadeira situação dessas crianças.
Ele suspira, relutante, mas cede.
— Você tem razão.
Eles se levantam juntos, se arrumam e, enquanto ela vai ao banheiro, Hector segue para a cozinha, onde Doris já está preparando o café da manhã. O cheiro de café passado se espalha como um convite ao aconchego.
— Bom dia, filho — Doris diz, com um sorriso suave. — Dormiu bem?
— Dormi melhor do que em semanas — responde, pegando uma xícara e servindo-se de café. — E você?
— Um pouco ansiosa. Mas sei que essa consulta de hoje deve nos tranquilizar.
— Eu também sinto isso.
Minutos depois, Ava desce as escadas vestindo um vestido leve azul-claro que destaca sua pele rosada e o brilho em seus olhos. Hector paralisa por um instante, admirando-a como se a visse pela primeira vez. Ela sorri.
— Vamos?
No caminho até a clínica, o clima é leve, mas cheio de expectativa. Ava mantém uma das mãos repousada sobre a barriga, como se buscasse proteção, enquanto Hector dirige com a outra mão segurando a dela.
— Não se preocupe com nada, eu estou aqui — ele lembra.
— Eu sei. E isso me dá forças.
Chegando à clínica do novo médico, são imediatamente encaminhados para uma sala moderna, com painéis digitais e equipamentos de última geração. Tudo ali transmite segurança, seriedade e competência. Nada como a frieza do consultório de Helena Hills.
O médico entra sorridente, de jaleco branco e um tablet em mãos. É um homem de meia-idade, cabelos grisalhos nas têmporas e olhos castanhos serenos.
— Bom dia, casal. Sou o doutor Alejandro Mendes. Estava esperando vocês. Recebi os exames enviados e já revisei com atenção. Vamos conversar um pouco antes de iniciarmos o ultrassom detalhado?
Sentando-se em frente ao médico, Ava aperta a mão de Hector, sem perceber.
— Li os laudos anteriores e o parecer da doutora Hills. Ela menciona indícios de Síndrome de Transfusão Feto-Fetal. Mas, já de cara, eu reconheci um problema — começa o médico.
— Qual? — Ava pergunta, tensa.
— Esses laudos foram preenchidos de forma muito superficial. Não há dados suficientes para confirmar um diagnóstico tão grave. Parece… forçado.
— Nós já suspeitávamos disso — Hector intervém. — Só o enviamos para comparar.
O médico assente, sem surpresa.
— Infelizmente, isso acontece mais do que imaginamos. O que importa agora é fazer o exame da forma correta. Ava, podemos começar?
Ela assente e se dirige para a sala ao lado, onde o equipamento já está preparado. Dessa vez, o exame é mais preciso para o tempo de gestação em que ela se encontra.

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