O silêncio de Hector é suficiente para desesperar a esposa, que se agita na cama, tentando se levantar mesmo com o corpo ainda fraco pela cirurgia.
— Hector, por favor, me diz alguma coisa! — sua voz sai trêmula, quase suplicante.
Percebendo o quanto aquela angústia poderia afetá-la, ele se apressa até ela, segura seus ombros. Então, lembra-se das palavras de Mark.
“Palavras positivas fazem diferença.”
Elas eram a âncora de que ele precisava naquele momento.
— Não se preocupe — diz, tentando manter o controle. — Ele está bem. Os médicos estão cuidando dele com todo o cuidado. O Mark me disse que isso é bem comum em partos de gêmeos. Um pode nascer um pouco mais frágil, mas logo se recupera.
No entanto, Ava desvia o olhar, lutando com a lembrança do choro abafado do filho. Seus olhos se enchem de lágrimas.
— Mas… — ela pondera — ele parecia tão fraquinho. Tão sem força…
Sentando-se na beira da cama, ele enxuga as lágrimas dela com o polegar e sussurra:
— Amor, ele é o nosso filho. O Liam não é fraco. É forte. E vai provar isso. Logo, logo ele vai estar aqui com a gente. Eu acredito nisso. E você precisa acreditar também.
Buscando alguma paz no olhar dele, Ava respira fundo. O toque suave dele em seu rosto ajuda a acalmá-la, mesmo que o medo ainda esteja ali, espreitando.
Nesse instante, Ethan, que observava tudo do canto do quarto, se aproxima com um pequeno sorriso esperançoso.
— Vai ficar tudo bem, minha filha — diz com a voz calma, tentando trazer conforto. — Não se preocupe tanto. Quando você nasceu, passamos por algo parecido.
Surpresa, Ava o encara.
— Sério?
— Muito sério — ele confirma. — Você também deu um susto em nós. Ficou alguns dias na UTI, mas olha só — ele abre mais o sorriso — veja a mulher forte que você se tornou.
Mesmo em meio às lágrimas, ela sorri, tocada pelas palavras do pai.
— Então quer dizer que eu também passei por isso?
— Sim — ele afirma. — E venceu, do mesmo jeito que o Liam irá vencer.
Novamente, Ava segura a mão do marido e a aperta levemente.
— Então a gente vai acreditar… juntos. Que o Liam vai vencer.
— Vai sim — ele responde. — Porque ele é nosso filho. E já começou a lutar desde o primeiro segundo.
Um pequeno chorinho suave invade o quarto, quebrando o clima tenso. Todos se voltam ao mesmo tempo, para o canto do ambiente, onde a pequena Chloe, até então dormindo tranquila no berço, se remexe e emite sons baixos, como se reclamasse do mundo novo ao seu redor.

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