As horas que se passam naquele hospital parecem as mais lentas do mundo. Cada minuto sem notícias de Liam era um teste de paciência e fé. A rotina no quarto se resumia ao silêncio, às orações silenciosas e aos olhares trocados entre o casal, como se um estivesse sustentando o outro com a força do próprio coração.
Quando finalmente Ava pôde se levantar com a ajuda da enfermeira, Hector fez questão de acompanhá-la até o banheiro. Foi ele quem ajustou a temperatura da água, preparou a toalha e ficou por perto, oferecendo apoio com o olhar e com as mãos.
Enquanto isso, Doris cuidava de Chloe com todo o amor e cuidado do mundo. A bebê dormia embalada nos braços da avó, alheia a todas as preocupações e emoções que envolviam sua chegada ao mundo.
Mais tarde, já no início da noite, Rafaela e Ethan ainda permaneciam no hospital, preocupados com a filha, o genro e, principalmente, com o neto internado na UTI. Mas Hector, com gentileza, se aproximou deles e falou baixinho:
— Eu sei que vocês querem ficar… e sou muito grato por tudo. Mas, por favor, vão descansar um pouco. Amanhã, vocês voltam e revezam com a minha mãe. Ela vai passar a noite aqui conosco.
Rafaela hesita por um instante, mas entende. Ela olha para a filha, que assente com um sorriso fraco, e então se levanta.
— Qualquer coisa… qualquer sinal do Liam… você nos liga — diz Ethan, colocando a mão no ombro do genro.
— Eu prometo — responde ele, com seriedade. — E obrigado, de verdade.
Os dois se despedem da filha e da neta com abraços emocionados, prometeram voltar bem cedo no dia seguinte, e deixam o quarto em silêncio, permitindo que a noite se encerre apenas com aqueles que, naquele momento, precisavam estar ali.
Mais calmo, Hector observa a esposa deitada, visivelmente mais confortável após o banho, com Chloe aninhada no colo, adormecida, com os lábios ainda úmidos do leite materno. O quarto está tranquilo, iluminado pela luz amarelada da luminária ao lado da cama.
O som do celular vibrando quebra o silêncio.
Ele pega o aparelho e vê o nome de Mark na tela. O coração acelera. Sem hesitar, desliza o dedo para abrir a mensagem.
“Boas notícias: o Liam está estável.”
Aquelas palavras, embora simples, têm o poder de fazer seu peito se expandir de alívio. Pela primeira vez desde o parto, ele consegue respirar mais fundo. Fecha os olhos por um instante, como quem agradece em silêncio, e então se levanta, caminhando até a cama.
Aproxima-se devagar e segura a mão de Ava, beijando-a.
— Fique com a minha mãe um pouco — diz ele com voz suave. — Vou ver o nosso filho. Quero estar com ele um pouquinho… mesmo que só do outro lado do vidro.
— Eu também quero ir — murmura inquieta, se remexendo na cama com os olhos cheios de vontade.
— Vou conversar com o médico. Se ele autorizar, volto aqui para te buscar, tudo bem?
Ela assente devagar, entendendo que ainda está frágil, mas com o coração dividido.
— Tudo bem… — diz, apertando a mão dele. — Dá um beijo nele por mim.
— Eu volto logo — promete.
Ele sai do quarto com passos ligeiros, cruzando os corredores do hospital já familiarizados, como se soubesse exatamente onde seu coração o esperava.
Ao chegar à UTI neonatal, avista Mark do lado de fora, conversando com o médico que cuida de Liam. Ambos se voltam quando notam sua aproximação.
— Senhor Moreau — diz o médico, com um leve sorriso — que bom que veio. Eu estava prestes a procurá-lo.
Ansioso, Hector acelera os passos, já vasculhando além do vidro com os olhos, tentando localizar o filho.

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