Contente com a notícia, Hector caminha apressado pelos corredores do hospital. O coração, antes apertado, agora pulsa com alívio e expectativa. Ao chegar à porta do quarto, gira a maçaneta devagar e entra em silêncio.
Lá dentro, encontra Ava recostada na cama, com os olhos semicerrados e uma expressão de cansaço no rosto. Chloe dorme tranquilamente no bercinho ao lado, e Doris, sentada em uma poltrona, o observa em silêncio, percebendo o brilho novo em seus olhos.
Ele se aproxima devagar e toca com suavidade a mão da esposa. Ava abre os olhos lentamente, ainda entre o despertar e a preocupação.
— Hector… — murmura, assim que o vê. — Como está o nosso filho?
Ele sorri, um sorriso de alívio. Aperta levemente a mão dela e se senta na beira da cama.
— Tenho boas notícias, meu amor — diz baixinho. — O Liam está estável. Os médicos disseram que ele está reagindo bem aos cuidados. E... — faz uma pausa breve, para que ela o encare completamente — o médico autorizou que você o visitasse por alguns minutos.
Os olhos de Ava se enchem de lágrimas imediatamente. Ela leva a mão à boca, surpresa, emocionada, sem conseguir falar por um instante.
— Eu vou… eu vou ver o nosso filho? — sussurra, como se ainda não acreditasse.
— Vai sim — confirma com um sorriso mais aberto. — Não pode tocá-lo ainda, mas vai poder vê-lo, olhar nos olhos dele… dizer que está aqui. Que estamos todos esperando por ele.
Ela assente rapidamente, já com as lágrimas rolando silenciosas pelo rosto.
— Então, o que estamos esperando? — pergunta, ansiosa, já tentando se ajeitar melhor na cama.
Como se tivesse escutado o chamado do coração materno, a porta do quarto se abre com uma batida suave, e uma enfermeira entra empurrando uma cadeira de rodas.
— Pronta para conhecer seu pequeno príncipe de perto, senhora Moreau? — pergunta a enfermeira, com um sorriso acolhedor, aproximando-se da cama.
Com cuidado, Hector apoia Ava pelas costas enquanto a enfermeira ajusta a posição da cadeira. Devagar, ela desce da cama. Mesmo sentindo o corpo sensível e lento, sente que a vontade de ver o filho é muito maior que qualquer desconforto.
— Devagar — orienta a enfermeira, posicionando o apoio dos pés. — Não tenha pressa, a gente vai no seu tempo.
Antes de sair, Ava se vira para Doris, que continua sentada na poltrona ao lado do bercinho, observando tudo com carinho.
— Cuida da minha pequena, por favor — diz ela, lançando um último olhar para a filha adormecida.
Doris sorri, enternecida, e se levanta devagar, caminhando até o berço.
— Pode ir despreocupada — responde com um brilho nos olhos. — A vovó vai cuidar dela como se fosse você.
— Ok, estou pronta — ela comunica.
— Vamos — diz Hector, caminhando ao seu lado, enquanto a enfermeira empurra a cadeira. — O Liam está esperando por você.
Enquanto é levada pelo corredor, Ava fecha os olhos tentando conter as lágrimas que ameaçam cair. Quando os abre novamente, a porta com a placa “UTI Neonatal” já está à frente.
A enfermeira caminha à frente, dá um leve toque na porta e troca algumas palavras rápidas com a equipe que está lá dentro. Um dos profissionais acena com a cabeça e libera a entrada de Ava até o ponto autorizado, próximo à incubadora, protegida por barreiras de segurança, mas perto o suficiente para vê-lo com clareza.
Assim que a porta se abre, Hector empurra a cadeira para dentro em silêncio.
O mundo naquele momento desacelera.

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