Após verem o filho e saberem que ele estava melhorando, o casal se acalma e consegue descansar um pouco. Assim, três dias se passaram no hospital, até que Ava recebe alta com Chloe.
— Não acredito que vou ter que ir para casa sem o Liam — diz ela, com o coração apertado.
— Não vamos ficar tristes, meu amor. O médico disse que, se ele continuar indo bem como está, pode ter alta em quinze dias, lembra?
— Lembro, mas… — ela hesita, olhando para o berço portátil com a filha. — Não era assim que imaginei a nossa volta para casa depois do parto.
— Eu sei — responde Hector, soltando um suspiro. — Mas às vezes a vida é assim. Vamos só pedir a Deus que continue guardando o nosso anjinho até ele poder vir para casa também.
Ava assente, enxugando discretamente uma lágrima.
— Você tem razão. E, agora que as visitas estão permitidas, vou passar boa parte do tempo entre a casa e o hospital.
Hector aperta a mão dela e sorri de leve.
— A gente vai passar por isso juntos. Um dia de cada vez.
Ao chegarem em casa, o silêncio parece estranho. Nada se compara à agitação do hospital. Hector carrega as bolsas enquanto Ava entra devagar, com Chloe nos braços. Doris abre a porta do quarto dos bebês, que foi montado com tanto carinho.
Decidiram desde o início que os dois dormiriam juntos, pelo menos enquanto fossem pequenos. Mas cada cantinho tinha a sua personalidade. O lado de Chloe é suave, com detalhes em rosa, bichinhos de pelúcia e o bercinho branco com laços delicados. O de Liam é azul-claro, com estrelas na parede e uma pequena prateleira de livros que Hector insistiu em colocar.
Caminhando até o bercinho da filha, Ava a coloca ali com cuidado. Chloe ainda dorme, tranquila. Ela ajeita a coberta com delicadeza para a bebê não acordar.
— Pode deixar que cuido dela agora — diz Doris, se aproximando. — Vai descansar um pouco, filha.
Ela hesita, mas o cansaço pesa. Então, após dar um beijo na testa da filha, deixa o quarto ao lado do marido.
Já no quarto do casal, ela se senta na beira da cama, soltando um suspiro.
— Que bom que as coisas estão dando certo — diz Hector, tirando os sapatos dela.
— Sim, quase tudo… — ela responde, olhando para o teto.
— Logo ele vai estar com a gente — ele diz, com firmeza. — E vamos deitar nessa cama, nós quatro.
Ele se senta no chão, pega os pés dela e começa uma massagem leve. Ava fecha os olhos e suspira mais uma vez, agora com alívio.
— Se continuar assim, vou querer outro bebê só por causa disso — brinca, com um sorriso cansado.
Hector ri.
— Será que viriam gêmeos novamente?
Ela abre os olhos, encara-o com os olhos arregalados.
— Espero que seja um de cada vez. Quatro crianças em apenas duas gestações? Eu não sei se aguentaria.
— Sei que é cansativo, mas seria bom ver a casa cheia.
Depois da massagem, Ava se ajeita melhor na cama e solta um longo suspiro de alívio.
— Que sorte a minha ter um marido que sabe cuidar de mim — ela comenta, sorrindo.
Hector sorri de volta, mas lança aquele olhar malicioso que ela já conhece bem.

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