O sol já havia aparecido há algum tempo, mesmo assim David ainda a carrega nos braços. A trilha se estreita, cercada por árvores altas e úmidas, mas ele segue com passos seguros. O silêncio entre eles agora é confortável, como se palavras não fossem tão necessárias.
— Já está bom — diz ela de repente. — Acho que consigo andar.
Ainda com os braços firmes em torno de seu corpo, ele a encara.
— Tem certeza?
Ela apenas assente e então é colocada de volta no chão com cuidado. Ela testa o pé, apoiando-se devagar.
— Está doendo, mas dá para seguir — garante.
Sem discutir, eles continuam, mas dessa vez lado a lado. A floresta começa a se abrir, revelando pequenas construções rústicas entre clareiras. As cabanas. Tinham finalmente chegado ao lugar onde acreditavam que Geraldo Felix deveria estar hospedado.
Com alívio, David contempla o lugar. A ideia de descansar depois de toda aquela caminhada parece tentadora. Mas, antes que possa sugerir uma pausa, Pérsia se adianta.
— Acho melhor procurarmos pelo senhor Felix agora. Vai que ele resolve sair para passear?
— Você não quer descansar primeiro? — pergunta, surpreso.
— Já descansei demais em seus braços — revela com um sorriso. — Você pode ficar aí, eu vou fazer o meu trabalho.
A resposta o faz abrir um sorriso. Aquela estagiária nunca parava de surpreender.
— Tudo bem — concorda. — Mas não vá se perder por aí. Volte assim que tiver alguma informação.
Já de saída, ela caminha entre as cabanas, como se soubesse exatamente a quem perguntar, e em menos de quinze minutos retorna com um pequeno sorriso vitorioso.
— Ele está na cabana cinco, logo ali na curva do lago.
David ergue as sobrancelhas.
— Como você descobriu?
— Apenas perguntei.
— E como conseguiu resposta tão rápido?
— As pessoas tendem a ser mais solícitas quando você sorri, responde com educação e parece não estar tentando vender nada.
Impressionado, ele sorri e os dois seguem lado a lado até a cabana apontada.
Quando batem à porta, um senhor de cabelos grisalhos e olhar desconfiado os recebe. Assim que reconhece David, sua expressão muda para uma surpresa contida.
— David Smith? Isso é o que chamo de persistência — diz, dando um passo para o lado e permitindo a entrada.
David entra, seguido de Pérsia.
— Não podia deixá-lo escapar, senhor Felix. Vim até aqui porque acredito que esse contrato é importante demais para esperarmos por muito tempo.
Geraldo o encara por alguns segundos, como se tentasse decifrar se aquilo era só uma jogada de marketing ou algo mais autêntico. Por fim, sorri.
— Não esperava menos de você. Gosto de gente que se mexe. Que não espera sentado por uma oportunidade. Acredito que esteja com o contrato na bolsa, não está?
David abre a mochila e entrega os papéis.
— Está aqui. Com todos os ajustes discutidos na última reunião.
Geraldo lê brevemente, como se já soubesse o conteúdo.
— Você tem uma caneta?
— Aqui — Pérsia se adianta e entrega.
Com a caneta em mãos, assina as folhas sem hesitação.
— Está feito. Estou curioso para trabalhar com alguém tão disposto.
Aliviado, David respira fundo. A viagem valeu a pena.
— Obrigado por confiar em nós.
— Agora que esse assunto está resolvido… que tal um passeio? — Geraldo pergunta, animado. — Tenho cavalos aqui. Costumo cavalgar sempre que estou por essas bandas. E não deixaria meus convidados partirem sem experimentar.
Olhando para Pérsia, David hesita um pouco. A ideia de deixá-la sozinha naquele lugar não agrada.
— Está com receio de deixá-la? — Geraldo pergunta, percebendo o receio em seu olhar.

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