Ava congela.
O ar parece sair de seus pulmões de uma só vez. O coração dispara. Seus olhos saltam confusos, assustados, e fixam-se em Hector, como se pedissem uma explicação urgente.
Mas Hector não diz uma palavra sequer, apenas observa James entrar com calma, vestindo um blazer claro, enquanto exala uma expressão arrogante. Seus olhos brilham ao ver Ava ali; viva, real, bem diante dele.
— Como o combinado… — diz Hector, levantando-se e caminhando até James, com um meio sorriso frio nos lábios — ela é toda sua.
Ava arregala os olhos, surpresa.
— O quê? — sussurra, sentindo a garganta apertar. — Hector… o que você está fazendo?
Mas ele não responde, apenas a ignora.
— É por isso que estava nervoso enquanto estávamos vindo para cá? Você planejou tudo isso? — ela insiste, incrédula.
— Sinto muito por isso, Ava, mas eu precisava pensar em mim primeiro — Hector confessa, encarando-a.
Mesmo que não confiasse em Hector, naquele momento, Ava sente um aperto no peito, ao perceber que havia sido enganada mais uma vez.
“Como fui tão burra?”
Uma sensação estranha lhe consome, como uma punhalada cravada no peito. Bem que Charlotte tinha razão sobre Hector, como não deu ouvidos aos conselhos dela? Hector nunca pensou em ajudá-la, estava apenas pensando num jeito de sair ganhando com aquela situação.
“Mas… o que ele havia negociado com James?”, se questiona, sentindo o sangue ferver.
Ao ver o sorriso que Hector lança para James, Ava perde a paciência e vai para cima dele, desferindo um tapa em seu rosto.
— Seu desgraçado, como ousa fazer isso comigo? — questiona, sentindo a voz trêmula. — Como pode fazer algum tipo de acordo com esse assassino?
Hector leva a mão ao rosto, onde o tapa ardia, mas não diz uma única palavra. O lado atingido queima, e junto com ele, o orgulho. Mesmo assim, mantendo o silêncio, apenas vira as costas, com a expressão contida, caminha em direção à porta. Ele a abre devagar, sem olhar para trás, e sai.
O som da porta se fechando ecoa pela sala como um aviso de que ela estava sozinha.
Permanecendo imóvel, Ava sente um aperto no peito. Ao vê-lo partir, algo dentro dela desaba. Era real, estava sozinha. Havia sido traída mais uma vez. Nunca deveria ter acreditado nas promessas daquele homem. Nunca.
Segundos depois, o som do motor do carro preenche o ambiente. Alto, cortante… e logo vai se esvaindo, até sumir por completo na distância.
Então, o silêncio toma conta daquele lugar.
Quando percebe que não há mais ninguém ali além dela, James dá um passo à frente. Devagar, quase saboreando o momento. O olhar dele é afiado, faminto. Como um predador que finalmente encurralou a presa.
E Ava sente o sangue gelar, por saber que está diante da morte mais uma vez.
— Quem diria que nos veríamos mais uma vez, Ava — murmura ele.
Sentindo-se encurralada, Ava tenta manter ao menos a dignidade.

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