Num impulso cheio de certeza, Hector leva a mão até a nuca dela e a puxa com delicadeza, aproximando seus rostos até não restar mais espaço entre os dois. Sem pedir permissão, encosta os lábios nos dela, num beijo que começa urgente, como se estivesse esperando por aquilo há tempo demais.
Ela hesita por meio segundo de dúvida, de orgulho, de resistência, mas no momento em que sente a língua dele invadindo sua boca com desejo e fome, a força que tinha nas pernas parece desaparecer.
As mãos dela vão parar nos ombros dele, sem saber se empurram ou puxam, mas o corpo responde no automático. O beijo se aprofunda. Não era só físico, era tudo o que eles não diziam, tudo o que tentavam esconder e que agora escorria por entre os lábios entreabertos, misturados no ritmo acelerado da respiração dos dois.
Hector a beija como se tivesse o direito, como se soubesse exatamente o efeito que causava nela. E Ava, mesmo com mil pensamentos gritando em sua mente… naquele momento, só conseguia sentir.
Com uma das mãos ainda firme na nuca dela, Hector desliza a outra pelas costas dela, até alcançar a curva do quadril. Sem aviso, a ergue com facilidade, segurando-a pela bunda e fazendo com que as pernas dela envolvam sua cintura.
Ela solta um leve ar ofegante contra a boca dele, mas não rompe o beijo, ele não deixa. Os lábios continuam colados, intensos, como se nenhum dos dois quisesse dar trégua.
Com ela em seu colo, Hector caminha em direção à cama, com os corpos completamente colados. Ele a deita com cuidado no colchão, mas mantém o corpo sobre o dela, firme, aprofundando mais o beijo.
As mãos de Ava sobem pelo peito dele, sem rumo, como se buscassem alguma âncora no meio daquela tempestade. Então, Hector se encaixa entre suas pernas, pressionando o quadril contra o dela, roçando devagar, como se estivesse provocando e sabia exatamente o que estava fazendo.
Ela geme baixo contra a boca dele, e seus dedos apertam seus ombros.
— Você sente isso, Ava? — ele sussurra, roçando os lábios nos dela, quase sem tocá-la. — Isso é o que acontece quando você me provoca por dias e depois me olha como se não quisesse nada.
Ele morde de leve o lábio inferior dela e continua:
— Você não faz ideia do quanto eu te imaginei assim. Debaixo de mim, implorando sem dizer uma palavra. E sabe o pior? Nem é só sobre o corpo. É o jeito que você me olha quando tenta disfarçar que não quer. Isso, para mim… é o seu maior erro.
Ela tenta dizer algo, mas ele não deixa.
— Shhh… — sussurra, encostando a testa na dela. — Fica quietinha agora. Sente. Só sente.
Então ele a beija de novo, como se já não houvesse mais espaço para controle ou hesitação. Suas bocas se encaixam, enquanto uma das mãos desliza pela coxa dela, subindo lentamente a barra do vestido.
Ele não estava nem aí para o fato de estarem na casa dos pais dela, no antigo quarto de infância. Nada daquilo importava. Tudo que Hector conseguia pensar era no calor do corpo dela, na forma como ela reagia a cada toque, a cada palavra, a cada beijo.
— Você tem noção do quanto me deixou louco nos últimos dias? — Ele murmura contra a boca dela, enquanto os dedos exploram a pele macia da coxa.
— Hector… — ela sussurra entre um beijo e outro, com a respiração falha — meus pais estão nos esperando para o almoço…
Ela tenta afastá-lo, ainda que minimamente, mas as mãos não têm força. Seu olhar é o de alguém dividida entre o dever e o desejo.
Hector nem se move. Apenas sorri contra os lábios dela, como se aquela interrupção fosse, no máximo, um detalhe insignificante.
— Eu não estou nem aí para o almoço… — murmura, roçando a boca no pescoço dela. — Quando o prato principal está aqui, quente, gemendo baixo e se contorcendo debaixo de mim.

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