Alguns minutos depois, Rafaela se levanta, avisando que vai buscar mais sobremesa na cozinha. Ethan a acompanha, dizendo que precisa fazer uma ligação urgente. O local fica momentaneamente vazio, silencioso demais para um ambiente que até então transbordava uma voltagem contida.
Só restam os dois.
Apoiando a taça vazia na mesinha ao lado, Ava respira fundo, tentando ignorar o fato de que está a sós com Hector. Mas o silêncio entre eles é pesado demais para fingir que está tudo normal.
— Você está adorando isso, né? — ela comenta, sem olhar para ele.
— Sim, muito. Acho que é uma das coisas mais gostosas que já provei na minha vida — ele fala, olhando para a taça do sorvete.
— Não se faça de bobo, Hector, não é disso que estou falando.
Esticando as pernas com tranquilidade, ele apoia um braço no encosto do sofá, virando o corpo discretamente em direção a ela.
— É mesmo… E do que você está falando?
Ela o encara, tentando parecer firme, mas ele já sabia: quando Ava cruzava os braços daquele jeito, era pura defesa.
— Não se faça de bobo.
— Eu não estou fazendo — rebate, se inclinando para frente, deixando a proximidade entre eles mais íntima. — Só estou tentando te poupar do que estou querendo fazer.
— Como assim? — ela pergunta confusa.
— Quer mesmo saber o que estou querendo nesse exato momento? — ele provoca.
Engolindo em seco. Ela queria dizer não, só para não dar a ele o prazer de achar que tinha o controle. Só para ferir o ego inflado dele. Mas, naquele instante, a curiosidade era maior do que o orgulho.
— Muito bem… — ela solta, com um sorrisinho de canto e um olhar de desdém. — Me diga o que se passa na mente do ilustre Hector Moreau.
— Estou pensando em qual seria a sua reação se eu te puxar agora e encostar a boca no teu pescoço…
Instintivamente, ela lança olhares rápidos ao redor, como se quisesse se certificar de que ninguém estava observando.
— Eu iria te empurrar — responde.
Então, Hector aproxima o rosto próximo ao dela, mas sem encostar.
— Não é o que a sua expressão revela.
Ela fecha os olhos por um segundo, tentando manter o controle, mas quando os abre, nota que ele continua ali. Perto demais. Quente demais.
— Você se acha muito confiante.
— Eu só estou dizendo o que o seu corpo revela.
— E se eu disser que não quero? — desafia, mesmo sabendo que a própria voz tremia um pouco.
Ele ergue uma sobrancelha e murmura, colando seu corpo no dela.
— Então me empurra.
Há um silêncio.
Ela não empurra.
Ao invés disso, fica ali, imóvel, com o coração acelerado e o corpo cada vez mais entregue à presença dele.
— Eu não estou errado — ele sussurra, encostando os lábios no pescoço dela, devagar, como se estivesse pedindo permissão… ou testando limites.
E ela não recua, então Hector não espera mais.

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