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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 88

Alguns minutos depois, Rafaela se levanta, avisando que vai buscar mais sobremesa na cozinha. Ethan a acompanha, dizendo que precisa fazer uma ligação urgente. O local fica momentaneamente vazio, silencioso demais para um ambiente que até então transbordava uma voltagem contida.

Só restam os dois.

Apoiando a taça vazia na mesinha ao lado, Ava respira fundo, tentando ignorar o fato de que está a sós com Hector. Mas o silêncio entre eles é pesado demais para fingir que está tudo normal.

— Você está adorando isso, né? — ela comenta, sem olhar para ele.

— Sim, muito. Acho que é uma das coisas mais gostosas que já provei na minha vida — ele fala, olhando para a taça do sorvete.

— Não se faça de bobo, Hector, não é disso que estou falando.

Esticando as pernas com tranquilidade, ele apoia um braço no encosto do sofá, virando o corpo discretamente em direção a ela.

— É mesmo… E do que você está falando?

Ela o encara, tentando parecer firme, mas ele já sabia: quando Ava cruzava os braços daquele jeito, era pura defesa.

— Não se faça de bobo.

— Eu não estou fazendo — rebate, se inclinando para frente, deixando a proximidade entre eles mais íntima. — Só estou tentando te poupar do que estou querendo fazer.

— Como assim? — ela pergunta confusa.

— Quer mesmo saber o que estou querendo nesse exato momento? — ele provoca.

Engolindo em seco. Ela queria dizer não, só para não dar a ele o prazer de achar que tinha o controle. Só para ferir o ego inflado dele. Mas, naquele instante, a curiosidade era maior do que o orgulho.

— Muito bem… — ela solta, com um sorrisinho de canto e um olhar de desdém. — Me diga o que se passa na mente do ilustre Hector Moreau.

— Estou pensando em qual seria a sua reação se eu te puxar agora e encostar a boca no teu pescoço…

Instintivamente, ela lança olhares rápidos ao redor, como se quisesse se certificar de que ninguém estava observando.

— Eu iria te empurrar — responde.

Então, Hector aproxima o rosto próximo ao dela, mas sem encostar.

— Não é o que a sua expressão revela.

Ela fecha os olhos por um segundo, tentando manter o controle, mas quando os abre, nota que ele continua ali. Perto demais. Quente demais.

— Você se acha muito confiante.

— Eu só estou dizendo o que o seu corpo revela.

— E se eu disser que não quero? — desafia, mesmo sabendo que a própria voz tremia um pouco.

Ele ergue uma sobrancelha e murmura, colando seu corpo no dela.

— Então me empurra.

Há um silêncio.

Ela não empurra.

Ao invés disso, fica ali, imóvel, com o coração acelerado e o corpo cada vez mais entregue à presença dele.

— Eu não estou errado — ele sussurra, encostando os lábios no pescoço dela, devagar, como se estivesse pedindo permissão… ou testando limites.

E ela não recua, então Hector não espera mais.

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