Seus beijos se tornam mais urgentes, mais profundos, como se cada um quisesse compensar o tempo perdido, os silêncios acumulados, as palavras não ditas. Ava se rende aos braços de Hector como quem se entrega a uma tempestade: sabendo que será arrastada, mas sem vontade de resistir.
As mãos dele percorrem seu corpo com a precisão de quem já o imaginou incontáveis vezes. Tocam-na com firmeza, como se cada curva fosse um caminho que ele queria traçar há muito tempo. Os dedos passeiam com calma e intenção, fazendo a pele dela arder em cada ponto que tocam.
O vestido que Ava usa desliza, lento, como se o próprio tecido entendesse que não pertencia mais àquela história. As roupas vão sendo deixadas de lado, como barreiras que já não faziam sentido.
Seus corpos se encaixam com naturalidade, como se tivessem sido moldados um para o outro — e talvez tivessem mesmo. Eles moviam-se em um ritmo que só eles compreendiam, entre respirações entrecortadas, gemidos abafados e olhares que diziam tudo sem precisar de palavras.
Era mais do que desejo… Era entrega.
Enquanto Ava se contorcia suavemente sob seus toques, ele sussurra contra sua pele:
— Preciso corrigir algo que disse.
Franzindo levemente o cenho, Ava o olha de cima, com a respiração entrecortada.
— Corrigir o quê?
Ele ergue o rosto devagar, revelando seus olhos brilhando de desejo e provocação, e responde com um sorriso malicioso, quase cruel, de tão certo de si:
— Eu disse que aquele sorvete de mais cedo era uma das coisas mais gostosas que já provei… — pausa, só para vê-la prender o ar — mas não é verdade.
Ele aproxima-se mais uma vez, roçando os lábios no pescoço dela antes de completar:
— Você é a mais gostosa, Ava.
Sentindo o coração disparar, não apenas pela frase, mas pela maneira como ele a diz, ela fecha os olhos por um segundo, como se o peso das palavras dele a atravessasse por dentro. Era provocação, sim. Mas havia algo mais ali. Algo que não se disfarçava com um sorriso.
— Por que você fala essas coisas? — ela pergunta, num sussurro, sem força para esconder a vulnerabilidade na voz.
Ele não sorri dessa vez, apenas a observa, sério.
— Porque são verdades e você precisa ouvir — responde, sem rodeios. — Precisa saber o quanto me afeta… o quanto me tira do eixo… o quanto eu te quero, Ava. De verdade.
Sentindo o coração bater forte no peito, ela engole em seco. Estava vulnerável. Exposta. E naquele momento, sabia que não era só desejo. De repente, começou a ouvir o som do próprio coração martelando no peito — e aquilo não era normal. Era diferente. Intenso demais. A batida acelerada não era só efeito do toque de Hector, mas do que aquilo começava a significar dentro dela.
E isso era perigoso.
Porque não era só físico.
Era sentimento. E sentimento, quando se tratava de Hector Moreau… podia ser destrutivo.
Uma confusão de medo, orgulho e autoproteção toma conta dela. Como se estivesse prestes a perder o controle de algo que vinha tentando manter firme desde o início.
Ainda assim, ela fecha os olhos e tenta se agarrar à única justificativa que a faz continuar ali: estava apenas retribuindo o favor que ele fez mais cedo.
A madrugada avança como se o tempo tivesse deixado de existir. Eles riam entre beijos, sussurravam provocações, exploravam-se mutualmente com a pressa de quem temia o fim, e a lentidão de quem queria memorizar cada segundo.

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