Por quê?
Por que, justo naquele momento em que ele disse aquela maldita frase, as pernas dela estremeceram?
Que tipo de poder aquele homem tinha sobre ela, que bastava abrir a boca para bagunçar tudo?
Era como se ele soubesse exatamente qual corda tocar, qual brecha alcançar, e, pior… como fazê-la perder completamente o controle.
Enquanto continua processando as palavras dele, sente a pressão suave dos dedos de Hector apertando um pouco mais sua mão. O olhar dele continua firme, mas agora há algo mais ali… uma urgência contida, um desejo cru, misturado com algo que não sabe nomear, mas sente.
Ela abre a boca para responder, mas ele não dá espaço. Em um impulso cheio de certeza, Hector se inclina e a beija.
Dessa vez, ferozmente. Como se o tempo perdido e os sentimentos sufocados estivessem todos ali, empurrando um contra o outro. Ava, por um segundo, resiste. Mas então sente o corpo ceder, a respiração acelerar, e as mãos, por conta própria, se enroscarem no colarinho da camisa dele.
Ela estava se entregando. De novo. E sabia disso.
Percebendo a resposta dela, Hector não hesita. Rompe o espaço entre o querer e o fazer. Segura-a pela cintura com firmeza, como se ela fosse leve como o ar que ele respira, e a ergue sem esforço.
— Hector… — ela murmura contra a boca dele, mas é tarde.
Ele a carrega até a mesa com passos decididos, sem soltar seu olhar por um segundo sequer.
Com cuidado, a acomoda sobre a superfície fria da madeira.
Ela o encara, ofegante, sentada sobre a mesa, sentindo o vestido um pouco desalinhado e os cabelos caindo pelos ombros. Hector se aproxima mais, ficando entre suas pernas, mantendo as mãos firmes em sua cintura.
— Me diz para parar… — ele sussurra, com a voz rouca.
Mas ela não diz nada.
Ele se aproxima ainda mais, com os olhos fixos nos dela e aquele sorriso torto que Ava já estava começando a se acostumar.
— Sabia que você fala muito… — ele murmura, com a voz rouca, enquanto seus dedos deslizam lentamente pela lateral da coxa dela. — Mas na hora que importa… fica muda.
Sem conter, ela solta uma risada baixa, tentando manter o sarcasmo mesmo ofegante.
— Eu só não gosto de dar respostas quando o outro já acha que sabe tudo.
— Mas eu sei — ele rebate, inclinando-se até o rosto dela. — Eu sei exatamente o que você quer, Ava.
— Arrogante — ela murmura, mordendo levemente o lábio, com o olhar desafiador.
— E você é teimosa… — ele responde, deslizando a mão pela curva da cintura dela. — Mas tem um detalhe: seu corpo te entrega bem antes da sua boca.
— Você fala como se me conhecesse por inteiro — ela provoca.
— Ainda não — ele sussurra, encostando a testa na dela — mas estou quase lá.

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