A Verdade ou a Armadilha
O carro parou em frente a um prédio simples, afastado do centro da Cidade Norte.
Do veículo, um homem de capuz desceu apressado, carregando a caixa nos braços.
Subiu as escadas de dois em dois degraus, o suor escorrendo pela testa apesar da noite fria.
Ao entrar no apartamento apertado, jogou a chave sobre a bancada e pousou a caixa sobre a mesa de madeira gasta. A respiração vinha rápida, mas os olhos brilhavam com a falsa sensação de dever cumprido.
Pegou o celular do bolso e discou um número.
Demorou apenas dois toques para que uma voz masculina atendesse, grave, sem emoção:
— Fale.
— Já estou com a encomenda. — disse o homem, tentando soar confiante. — Está aqui, intacta.
Do outro lado, silêncio por alguns segundos, antes que a resposta viesse:
— Não abra. — a ordem foi seca, cortante. — Apenas aguarde instruções para ser entregue a mim.
O homem engoliu seco, olhando para a caixa fechada sobre a mesa, como se ela escondesse mais do que simples documentos.
— Certo. Vou esperar.
Desligou a chamada, mas o ambiente pareceu ainda mais sufocante. O tique-taque do relógio na parede era a única companhia, enquanto a caixa permanecia ali, imóvel, como se observasse.
Ele não sabia, mas cada movimento já estava sendo rastreado.
E, na madrugada silenciosa, a ratoeira estava prestes a se fechar.
___
A manhã nasceu carregada, cinza, como se o próprio céu soubesse o que estava prestes a acontecer.
Na Monteiro Corp, o silêncio não era comum. Seguranças de terno passavam discretos, cumprimentando funcionários como se nada houvesse, mas por trás dos olhos atentos havia a tensão da missão.
Nos corredores, homens à paisana já estavam posicionados: alguns fingindo ser equipe de limpeza, outros circulando com pastas como se fossem advogados. Ninguém desconfiava, mas cada saída, cada escada de emergência, estava cercada.
Augusto chegou pouco depois das oito. O terno escuro impecável contrastava com o olhar pesado. Cumprimentou o porteiro com um aceno rápido e atravessou o saguão. Ao lado dele, Cláudia caminhava com passos firmes, como uma general que sabia cada detalhe do campo de batalha.
— Hoje o tabuleiro vira. — murmurou a ele, sem desviar o olhar.
O dia parecia comum, os funcionários espalhados pelos andares, alguns pegando café, outros ajeitando as mesas, rindo baixo entre papéis e telas de computador. O clima era de rotina, nada que denunciasse o que estava por vir.
Cláudia entrou no primeiro andar com a postura elegante de sempre, uma pasta presa ao braço e o sorriso profissional estampado no rosto.
— Bom dia a todos. — disse, a voz firme, mas cordial. — Hoje vamos anunciar algumas promoções importantes. Às 9h30 teremos uma reunião especial. Os nomes que eu chamar, por favor, compareçam.
Os olhares se cruzaram, animados, alguns até nervosos. Três funcionários foram chamados, anotaram o horário e voltaram para suas mesas, comentando entre si.
Cláudia seguiu para o próximo andar. O mesmo procedimento. Mais três nomes, sempre escolhidos com calma, anunciados como se fossem agraciados pela sorte. Em cada corredor, cochichos e especulações se espalhavam como rastilho de pólvora: “Será que é sobre aumento? Sobre a reestruturação? Quem será promovido?”
Andar por andar, ela repetia o mesmo discurso. O tom era amigável, até entusiasmado. Mas seus olhos — firmes, calculados — denunciavam que havia muito mais por trás.
Finalmente, subiu até a recepção da presidência. Melissa estava ao balcão, revisando ao no computador.
Cláudia se aproximou com o mesmo sorriso polido.
— Bom dia, Melissa. — disse em tom leve. — Estamos organizando uma reunião para anunciar algumas promoções. Às 9h30, espero você na sala de conferência.
Melissa piscou surpresa, mas sorriu, ajeitando os papéis.
— Hoje vamos cortar de vez as frutas podre da MonteiroCorp . — disse, firme. Apertando um botão.
O som metálico ecoou na frequência dos homens do lado de fora. E, em segundos, o prédio se transformou num formigueiro silencioso.
Portas de emergência foram travadas. Elevadores desativados. Os ratos estavam na ratoeira.
Cláudia, ao lado dele, abriu a pasta e a virou para a mesa. O impacto ecoou pelo salão.
Lá dentro estavam as cópias dos relatórios adulterados, assinaturas falsificadas, transferências mascaradas.
— Aqui está a pirâmide da sujeira. — declarou, a voz fria, cada palavra como uma sentença. — Todos vocês fazem parte dela. E o “rei”… O “Louvre”, como vocês conhecem, neste exato momento está sendo caçado.
Os presentes se entreolharam, rostos pálidos, alguns murmurando em negação.
Os olhares antes ansiosos agora se tornavam pálidos, como se percebessem que a reunião não era sobre subir degraus… mas sobre cair do abismo.
Cláudia continuou, o olhar como lâmina:
— Não precisam falar. Hoje, os fatos vão falar por vocês.
Do outro lado da cidade, Thomas finalmente estacionava diante do prédio do apartamento.
O rádio crepitou.
— Estamos prontos. — informou um dos agentes.
Thomas respirou fundo, ajustou o colete e olhou para o alto.
A caixa estava ali dentro.
E com ela, talvez, a chave de toda a guerra.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...