Antes do Estrondo.
A copa do andar da presidência estava quase silenciosa, apenas o barulho tímido da máquina de café preenchia o ar.
Thiago apoiava-se no balcão estreito, mexendo distraidamente a xícara nas mãos. Os olhos, geralmente cheios de humor, estavam sérios demais naquela manhã.
— Você fica perigoso quando fica calado. — disse uma voz suave.
Ele ergueu o olhar e encontrou Emma parada na porta, os braços cruzados, a expressão entre preocupação e reprovação.
— Só estou pensando. — ele deu um meio sorriso, mas não convenceu.
Emma caminhou até ele, os saltos marcando o compasso no piso claro. Aproximou-se o suficiente para que ele sentisse o perfume dela, e falou baixo:
— Eu sei que você tenta disfarçar… mas essas pessoas, Thiago, são perigosas. Mais do que você imagina. — seus olhos buscaram os dele. — Promete que não vai ter nenhum ato heróico estúpido?
Ele soltou uma risada curta, quase nervosa. — Eu e atos heróicos? Não combina comigo.
Emma balançou a cabeça, impaciente. Antes que ele dissesse mais alguma coisa, ela se inclinou e o beijou.
O choque inicial fez Thiago prender a respiração — mas, no segundo seguinte, o corpo dele respondeu instintivamente. A xícara foi deixada de lado às pressas, e a mão dele deslizou para a cintura dela, puxando-a contra si como se sempre tivesse pertencido ali. A outra subiu até a nuca de Emma, os dedos se entrelaçando nos fios do cabelo dela, firme, possessivo, como se temesse que o momento pudesse escapar.
O beijo, que começou rápido, ganhou profundidade. Emma suspirou contra a boca dele, e o som a fez tremer mais do que gostaria de admitir. O coração de ambos batia descompassado, acelerado, cada segundo parecendo uma eternidade.
Quando finalmente se afastou, ainda próxima demais, Emma manteve os olhos fechados por um instante, respirando fundo. Depois, com os lábios quase roçando os dele, sussurrou:
— Não me faça me arrepender disso… você me deve um encontro. Então se cuida naquela sala.
Thiago ficou imóvel por um segundo, o sorriso abrindo-se devagar, os olhos iluminados por algo que não era medo nem humor — mas esperança.
Thiago ficou imóvel por um segundo, logo abriu um sorriso, os olhos ainda embriagados pelo momento, a mão permanecendo na cintura dela como se não tivesse coragem de soltar.
— Então vou ter que sobreviver hoje… — murmurou, rouco. — Porque depois desse beijo, eu preciso ter esse encontro com você.
Emma apenas virou-se, tentando esconder o rubor no rosto, mas por dentro sabia que aquele beijo tinha selado algo maior que um simples acordo.
___
O sol atravessava as cortinas na VisionLab, dourando as mesas e os papéis, como se fosse apenas mais um dia comum.
Mas, para Eloise, o dia tinha começado com leveza. O trabalho fluía, cada relatório parecia mais simples, e até o café tinha um gosto melhor.
Ela estava animada, quase em paz.
Até o celular vibrar.
Na tela, o nome de Nathalia piscava. Eloise sorriu ao abrir a mensagem, mas o sorriso sumiu no instante seguinte.
— Aquele idiota… sempre ele! — murmurou, arrastando as mãos pelo rosto, os dedos tremendo. — Venceu de novo? Não… não pode.
Gritou. O som reverberou pela casa, cortando a sala de estar até atingir a cozinha. Márcia surgiu na porta com o roupão amarrado, as bochechas coradas como quem teve o sono interrompido por uma preocupação genuína. O rosto, porém, guardava outra leitura: um olhar afiado, mistura de medo e cálculo, como quem mede cada reação antes de escolher o próximo passo.
— Antônio? — ela perguntou, a voz trêmula demais para ser apenas surpresa. — O que houve? Está tudo bem?
Ele avançou um passo, imponente como sempre. Segurou a gola do paletó com força, como se precisasse segurar a própria fúria antes que ela explodisse.
— Não está tudo bem. — respondeu ele, cada sílaba um corte contido.
Márcia deu um passo hesitante para mais perto, os olhos brilhando numa mistura de medo e pesar. Suas mãos se fecharam num pano enquanto tentava recompor a fala.
— Calma, Antônio… — murmurou, a voz baixa. — Sua pressão… você precisa respirar.
Havia na preocupação um traço autêntico: ela realmente temia por ele — e por si. O medo de perder o que construiu, a vergonha do próprio passado, tudo isso lhe enchia o peito. Ao mesmo tempo, sabia que precisava manter as aparências; qualquer sinal de fraqueza poderia custar-lhe muito mais do que o prestígio.
Antônio cuspiu um riso curto, sem humor. — Eles vão facilitar algo. E quando isso acontecer, eu vou esmagar todos eles. — a ameaça saiu pesada, e a sala pareceu encolher.
Márcia deixou escapar um suspiro que soou quase como confissão. Seus dedos apertaram o pano com força. — Eu… não quero isso, Antônio. — disse, a voz quebrando. — Eu nunca quis realmente te colocar nisso. Só… fiz escolhas. Erradas. E agora tenho medo. Medo do que pode acontecer com você — e comigo.
Ao recuar para a cozinha, limpou o café no chão com movimentos mecânicos, mas os olhos não se afastavam dele. O abajur estilhaçado refletia, para ela, as consequências: amor transformado em batalha, promessas que viraram peças de um jogo. Márcia sentiu a culpa arder; não por ter sido posta em posição de poder, mas por ter usado esse poder para sobreviver.
Por baixo da culpa, ainda havia cálculo — era difícil apagar anos de estratégia em uma noite —, mas agora a esperança mais sincera se misturava ao medo: que, se a ruína viesse, ainda houvesse espaço para arrependimento. Que, de algum modo, poderia ser salva — ou ao menos perdoada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...