As Sombras.
A manhã já começava a raiar, trazendo consigo a agitação da cidade.
Foi nesse despertar do mundo que Lucas despertou de repente, o corpo suado, a respiração ofegante.
Sentou-se na beira da cama, as mãos no rosto, tentando entender o que o tirara do sono.
Só havia dormindo por alguns horas, a madrugada tinha sido cansativa.
Então ouviu.
Sirenes.
Ele correu até a janela, afastou a cortina com brutalidade.
As luzes vermelhas e azuis piscavam refletidas no vidro dos prédios vizinhos, espalhando-se como um alerta pela rua.
Lucas prendeu a respiração, o coração martelando.
Passou a mão no pescoço, nervoso, como se o som fosse dirigido apenas a ele.
— Calma Lucas, calma … — murmurou para si.
Deu alguns passos pelo quarto, os olhos fixos no celular sobre a cômoda.
Estava ligado, a tela acesa, um número gravado sem nome piscando no histórico.
Ele estendeu a mão, mas parou no meio do movimento.
A hesitação o fez fechar os olhos, como se estivesse preso entre atender a chamada que não veio… ou esperar que alguém entrar porta a dentro.
No fim, apenas se deixou cair na poltrona, o olhar perdido no vazio.
A respiração ainda acelerada.
O suspense grudado nele como uma sombra.
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O relógio sobre a mesa de Eloise marcava 10h, mas cada minuto parecia arrastar-se como uma eternidade.
Ela tentava se concentrar nos relatórios, rabiscava anotações, mas os olhos voltavam sempre para a tela do celular.
A mensagem de Nathalia ainda estava lá, brilhando como um aviso perigoso:
"Ele já tem o nome de todos. Até o chefe."
O coração dela disparava toda vez que lia aquelas palavras.
Se Augusto realmente tinha descoberto tudo, o que viria agora?
E mais: até onde isso poderia arrastar a vida dela junto?
Eloise fechou os olhos por um instante, apoiando o rosto entre as mãos.
Mas o arrepio em sua espinha não desapareceu.
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Na Monteiro Corp, o silêncio pesava sobre as paredes da sala de reuniões.
Os passos dos seguranças ecoavam no corredor, aproximando-se cada vez mais.
Augusto estava de pé na cabeceira da mesa.
As mãos apoiadas no tampo de vidro, o corpo inclinado para frente, como um predador em espera.
Os olhos verdes faiscavam, intensos, refletindo a certeza do que estava por vir.
Ele fechou as pálpebras por um instante, respirou fundo, e pensou:
"Só o começo para ter a mulher da minha vida de novo."
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Carlos estava sentado na cama, apoiado por travesseiros, já com a cor voltando ao rosto. Lia o jornal com calma, os óculos na ponta do nariz.
A porta se abriu devagar e Carla entrou, o salto ecoando suave pelo piso.
— Carlos! — exclamou, com um sorriso doce, exagerado. — Como você está? Graças a Deus já parece melhor!
Ele ergueu o olhar, surpreso.
— Carla? Não esperava sua visita.
— Ora, imagine se eu não viria. — aproximou-se da cama, ajeitando o lençol com delicadeza ensaiada. — Você é meu irmão… eu me preocupo.
Carlos respirou fundo, estudando-a em silêncio.
— Não precisa se preocupar tanto. Vou sair logo daqui.
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O cemitério estava silencioso, coberto pela bruma da manhã. As árvores ao redor deixavam cair folhas secas que estalavam sob os sapatos de José Monteiro a cada passo.
Ele parou diante da lápide de mármore branco. A fotografia emoldurada mostrava um sorriso sereno, o mesmo que um dia iluminou sua vida e que ainda o assombrava.
Passou os dedos sobre o nome gravado: Helena Monteiro.
— Helena… — murmurou, a voz embargada. — Quantas vezes desejei voltar no tempo e consertar o erro que cometi.
Seus olhos marejaram, a respiração tornou-se pesada.
— Eu fui fraco. Traí você… e agora esse erro ameaça cair sobre o nosso filho. — a mão dele fechou-se em punho, apoiada contra o mármore frio. — Se Augusto descobrir, vai acreditar que toda a vida dele foi uma mentira.
Por alguns segundos, José fechou os olhos, como se buscasse coragem no silêncio do lugar.
— Me perdoa, Helena. — sussurrou. — Mas eu juro diante de você: vou proteger nosso filho. Vou proteger o Augusto com a minha vida, eu prometo.
José permaneceu em silêncio diante da lápide, a mão firme sobre o mármore frio.
— Se preciso for… com a minha vida… eu prometo. — murmurou, erguendo os olhos para o céu encoberto.
O vento soprou, balançando as flores murchas, como se fosse uma resposta silenciosa.
O olhar de José ficou fixo no horizonte, determinado, jurando proteger o filho a qualquer custo.
— Eu prometo. — repetiu.
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Ao mesmo tempo, em outro ponto da cidade, Lucas estava afundado na poltrona do quarto.
O suor ainda escorria pela testa, o coração em disparada. A cortina balançava com o vento da madrugada, e as sirenes distantes continuavam ecoando, como uma lembrança cruel.
Os olhos dele, vermelhos e perdidos, encaravam o vazio — como se uma sombra estivesse prestes a engoli-lo.
O celular piscava sobre a cômoda, mas ele não teve coragem de atender.
A respiração vinha curta, pesada.
O silêncio, sufocante.
E, por um instante, parecia que o juramento de José e o medo de Lucas se entrelaçavam, como dois fios da mesma teia prestes a se romper.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...