Entrar Via

Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 163

As Sombras.

A manhã já começava a raiar, trazendo consigo a agitação da cidade.

Foi nesse despertar do mundo que Lucas despertou de repente, o corpo suado, a respiração ofegante.

Sentou-se na beira da cama, as mãos no rosto, tentando entender o que o tirara do sono.

Só havia dormindo por alguns horas, a madrugada tinha sido cansativa.

Então ouviu.

Sirenes.

Ele correu até a janela, afastou a cortina com brutalidade.

As luzes vermelhas e azuis piscavam refletidas no vidro dos prédios vizinhos, espalhando-se como um alerta pela rua.

Lucas prendeu a respiração, o coração martelando.

Passou a mão no pescoço, nervoso, como se o som fosse dirigido apenas a ele.

— Calma Lucas, calma … — murmurou para si.

Deu alguns passos pelo quarto, os olhos fixos no celular sobre a cômoda.

Estava ligado, a tela acesa, um número gravado sem nome piscando no histórico.

Ele estendeu a mão, mas parou no meio do movimento.

A hesitação o fez fechar os olhos, como se estivesse preso entre atender a chamada que não veio… ou esperar que alguém entrar porta a dentro.

No fim, apenas se deixou cair na poltrona, o olhar perdido no vazio.

A respiração ainda acelerada.

O suspense grudado nele como uma sombra.

___

O relógio sobre a mesa de Eloise marcava 10h, mas cada minuto parecia arrastar-se como uma eternidade.

Ela tentava se concentrar nos relatórios, rabiscava anotações, mas os olhos voltavam sempre para a tela do celular.

A mensagem de Nathalia ainda estava lá, brilhando como um aviso perigoso:

"Ele já tem o nome de todos. Até o chefe."

O coração dela disparava toda vez que lia aquelas palavras.

Se Augusto realmente tinha descoberto tudo, o que viria agora?

E mais: até onde isso poderia arrastar a vida dela junto?

Eloise fechou os olhos por um instante, apoiando o rosto entre as mãos.

Mas o arrepio em sua espinha não desapareceu.

---

Na Monteiro Corp, o silêncio pesava sobre as paredes da sala de reuniões.

Os passos dos seguranças ecoavam no corredor, aproximando-se cada vez mais.

Augusto estava de pé na cabeceira da mesa.

As mãos apoiadas no tampo de vidro, o corpo inclinado para frente, como um predador em espera.

Os olhos verdes faiscavam, intensos, refletindo a certeza do que estava por vir.

Ele fechou as pálpebras por um instante, respirou fundo, e pensou:

"Só o começo para ter a mulher da minha vida de novo."

___

Carlos estava sentado na cama, apoiado por travesseiros, já com a cor voltando ao rosto. Lia o jornal com calma, os óculos na ponta do nariz.

A porta se abriu devagar e Carla entrou, o salto ecoando suave pelo piso.

— Carlos! — exclamou, com um sorriso doce, exagerado. — Como você está? Graças a Deus já parece melhor!

Ele ergueu o olhar, surpreso.

— Carla? Não esperava sua visita.

— Ora, imagine se eu não viria. — aproximou-se da cama, ajeitando o lençol com delicadeza ensaiada. — Você é meu irmão… eu me preocupo.

Carlos respirou fundo, estudando-a em silêncio.

— Não precisa se preocupar tanto. Vou sair logo daqui.

___

O cemitério estava silencioso, coberto pela bruma da manhã. As árvores ao redor deixavam cair folhas secas que estalavam sob os sapatos de José Monteiro a cada passo.

Ele parou diante da lápide de mármore branco. A fotografia emoldurada mostrava um sorriso sereno, o mesmo que um dia iluminou sua vida e que ainda o assombrava.

Passou os dedos sobre o nome gravado: Helena Monteiro.

— Helena… — murmurou, a voz embargada. — Quantas vezes desejei voltar no tempo e consertar o erro que cometi.

Seus olhos marejaram, a respiração tornou-se pesada.

— Eu fui fraco. Traí você… e agora esse erro ameaça cair sobre o nosso filho. — a mão dele fechou-se em punho, apoiada contra o mármore frio. — Se Augusto descobrir, vai acreditar que toda a vida dele foi uma mentira.

Por alguns segundos, José fechou os olhos, como se buscasse coragem no silêncio do lugar.

— Me perdoa, Helena. — sussurrou. — Mas eu juro diante de você: vou proteger nosso filho. Vou proteger o Augusto com a minha vida, eu prometo.

José permaneceu em silêncio diante da lápide, a mão firme sobre o mármore frio.

— Se preciso for… com a minha vida… eu prometo. — murmurou, erguendo os olhos para o céu encoberto.

O vento soprou, balançando as flores murchas, como se fosse uma resposta silenciosa.

O olhar de José ficou fixo no horizonte, determinado, jurando proteger o filho a qualquer custo.

— Eu prometo. — repetiu.

---

Ao mesmo tempo, em outro ponto da cidade, Lucas estava afundado na poltrona do quarto.

O suor ainda escorria pela testa, o coração em disparada. A cortina balançava com o vento da madrugada, e as sirenes distantes continuavam ecoando, como uma lembrança cruel.

Os olhos dele, vermelhos e perdidos, encaravam o vazio — como se uma sombra estivesse prestes a engoli-lo.

O celular piscava sobre a cômoda, mas ele não teve coragem de atender.

A respiração vinha curta, pesada.

O silêncio, sufocante.

E, por um instante, parecia que o juramento de José e o medo de Lucas se entrelaçavam, como dois fios da mesma teia prestes a se romper.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário