A Queda Pública.
O som das algemas ecoava em contraste com o silêncio absoluto da sala de reuniões. Um a um, os funcionários que faziam parte do esquema eram levantados pelas mãos firmes da polícia. As cadeiras arrastavam no piso de mármore, o ranger agudo soava quase como um lamento.
Melissa estava entre eles. Os olhos borrados de maquiagem, o corpo rígido de incredulidade, repetia como um mantra:
— É engano… é engano… — mas a voz saía fraca, perdida na sala cheia de provas que gritavam o contrário.
Do outro lado, outros detidos choravam baixo, alguns imploravam em murmúrios sobre família, filhos, promessas de colaboração. Mas nada podia ser feito: o destino deles já estava selado.
Daniel vinha por último, escoltado por dois agentes armados. As algemas em seus pulsos refletiam a luz fria das lâmpadas. O olhar dele era o único que não tremia: firme, sombrio, como quem guardava mais segredos do que revelara.
Thomas caminhava à frente, o porte de caçador em cada passo. Ao passar pelo rádio fixado no ombro, avisou com voz firme:
— Grupo em deslocamento. Sala limpa.
As portas do elevador se abriram com um ding metálico, cortando a tensão. O grupo entrou, o espaço pequeno cheio de respirações curtas, suor e silêncios pesados. O elevador desceu andar por andar, até que, no saguão principal, as portas se abriram para o choque coletivo.
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No hall de entrada da MonteiroCorp, dezenas de funcionários aguardavam, como se o rumor tivesse corrido antes da queda. Todos levantaram os olhos ao mesmo tempo. O impacto foi imediato.
As algemas. O uniforme da polícia. O silêncio quebrado pelo barulho das botas contra o mármore.
Alguém deixou cair uma pasta de documentos, as folhas se espalharam pelo chão, ignoradas diante da cena. Um burburinho se formou, como uma onda de choque. Ninguém acreditava no que via: colegas, supervisores, até chefes de setor — expostos como criminosos.
Melissa tentou desviar o rosto, mas os flashes das câmeras já a alcançavam. Repórteres amontoavam-se do lado de fora, as lentes pressionadas contra os vidros. Os policiais abriram caminho e, ao atravessarem a porta principal, a explosão de vozes da imprensa tomou o ar.
— Senhorita você confirma envolvimento em lavagem de dinheiro?
— Há quanto tempo o esquema funcionava dentro da MonteiroCorp?
— Você trabalhou diretamente para o CEO?
As perguntas se atropelavam, cada uma mais ávida do que a outra. Os detidos eram empurrados para dentro das viaturas alinhadas, os flashes das câmeras iluminando seus rostos como holofotes implacáveis.
A rua inteira estava tomada. Viaturas da polícia bloqueavam as laterais, jornalistas disputavam espaço, celulares erguidos gravavam cada segundo.
No meio da confusão, o olhar de Daniel encontrou, por um instante, o reflexo dos vidros da MonteiroCorp. Era como se olhasse para o próprio império que ajudou a corroer — e agora o via de fora, algemado.
Augusto não desceu. Observava da janela do décimo andar, os olhos verdes faiscando entre a fúria e a frieza. Não havia triunfo em seu rosto, apenas a certeza: aquilo era só o começo.
Do lado de fora, Thomas fechou a porta da viatura que levava Daniel. O estalo metálico ecoou como sentença.
A MonteiroCorp, que sempre fora símbolo de poder e glória, agora era palco de vergonha pública. E a Cidade Norte inteira assistia à queda.
Augusto observava de cima, no décimo andar, as luzes vermelhas e azuis refletindo nas paredes de vidro da MonteiroCorp. Os flashes das câmeras estouravam como relâmpagos, capturando cada rosto humilhado, cada passo algemado.
Ele não comemorava. Não havia vitória em seu semblante.
Melissa foi conduzida pela policial de uniforme. Sentou-se, ajeitando o cabelo com altivez, como se aquilo fosse apenas um incômodo passageiro.
Thomas não perdeu tempo.
— Melissa, quem entregou o projeto pra você? Quem autorizou a venda?
Ela cruzou os braços, sustentando o olhar com desafio.
— Já disse o bastante. Eu só recebia ordens.
— Ordens de quem? — a voz dele subiu um tom, firme, como um soco. — Nome, Melissa. Quem assinava?
Um silêncio denso se instalou. Ela mordeu o lábio, desviou por um segundo os olhos, mas logo recuperou a frieza.
— Tenho direito a um telefonema. — disse, com a calma ensaiada de quem ainda acreditava ter poder. — E a um advogado.
Thomas recostou-se na cadeira, os olhos estreitados.
— Peça o que quiser. — respondeu seco. — Mas lembre-se: silêncio também é prova.
Melissa não respondeu. Apenas sorriu de canto, aquele sorriso venenoso de quem sabe mais do que deixa escapar.
Para Thomas ainda existia muito ponta solta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...