As Vozes do Medo
A sala de interrogatório estava fria, iluminada por uma lâmpada direta que jogava sombras duras sobre a mesa de aço. Do outro lado do vidro espelhado, Augusto observava em silêncio, os olhos fixos em cada rosto que entrava.
O primeiro foi Douglas Lima, analista de contabilidade. Suava em excesso, os dedos tamborilando no tampo metálico.
— Eu só assinava, doutor. — disse, a voz trêmula. — As ordens vinham sempre por e-mail, com assinatura eletrônica. Um código: “Louvre”. Eu nunca vi esse homem. Nunca.
Thomas inclinou-se.
— E você nunca questionou? Nunca pensou que estava acobertando um desvio milionário?
Douglas baixou os olhos.
— Eu… tenho três filhos. Eu precisava do emprego.
Thomas fechou a pasta com um estalo.
— Você precisava é de coragem.
Foi retirado algemado.
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O segundo foi Thays Coutinho, do setor de compras. O rosto duro, mas a voz era nervosa demais para sustentar firmeza.
— Eu recebia malotes com documentos já prontos. Assinava. Era só isso.
— De quem? — Thomas insistiu.
Ela mordeu o lábio.
— Um intermediário. Sempre o mesmo. Nunca se apresentou. Só dizia: “É ordem do Louvre”.
Thomas bateu com a caneta na mesa.
— Nome, descrição, qualquer detalhe.
Thays engoliu seco.
— Usava capuz. Luvas. Eu não sei nada.
— Você sabe mais do que diz. — respondeu Thomas, a voz grave. — E na delegacia, mentira também pesa.
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O terceiro foi Henrique, supervisor de logística. Entrou algemado, mas com a cabeça erguida, como se ainda acreditasse ser intocável.
— Não adianta perder tempo comigo. — disse, num tom arrogante. — Todos aqui só obedeciam ordens. O Louvre não se mostra. Ele é inteligente demais.
Thomas arqueou a sobrancelha.
— E ainda assim, vocês confiavam cegamente.
Henrique riu com desprezo.
— Quando é dinheiro, todo mundo confia.
O silêncio caiu pesado. Thomas anotou, mas os olhos endureceram: a confissão, mesmo indireta, já era o suficiente para aprofundar as investigações.
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Do outro lado do vidro, Augusto inspirou fundo. Cada rosto, cada desculpa, cada mentira costurada apenas reforçava uma certeza:
o inimigo ainda estava na sombra.
E quando fosse revelado… seria tarde demais para todos eles.
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O Interrogatório de Daniel
O relógio da sala de interrogatório marcava 15h07. O ponteiro dos segundos parecia bater mais alto que a respiração de todos.
Do outro lado do vidro espelhado, Augusto observava em silêncio. Os olhos verdes faiscavam, frios como lâminas.
Daniel foi trazido algemado, escoltado por dois policiais. Jogaram-no na cadeira de ferro. Ele ergueu a cabeça, o rosto suado, os olhos cheios de ódio.
Thomas sentou-se à frente, abrindo a pasta devagar.
— Vamos começar simples. Nome, cargo e há quanto tempo trabalha para a Monteiro Corp.
— É uma bela história, Daniel. — fechou a pasta com força. — Mas incompleta.
Do outro lado do vidro, Augusto manteve-se rígido, mas os olhos denunciavam o conflito. Parte dele queria acreditar que o inimigo estava ali, algemado diante deles. Outra parte — a mais perigosa — intuía que havia algo errado.
E a intuição de Augusto Monteiro nunca falhava.
Thomas apoiou os braços sobre a mesa, a voz baixa, quase confidente:
— Daniel, eu já vi muitos como você. Homens que se dizem donos do jogo, mas que no fundo só são peças descartáveis. Você ainda tem chance de negociação. Pode reduzir pena, pode até sair mais cedo se cooperar.
Daniel estreitou os olhos, tentando manter a pose de arrogância, mas um tremor escapou em sua voz:
— Negociação? Por dois ou três anos a menos? Mas e depois ?— riu curto. — Quem vai me proteger na cadeia, hein?
Thomas o encarou, o silêncio preenchendo a sala como um golpe invisível.
— Então você admite que depende de alguém. — disse devagar. — Alguém maior, que prometeu a você proteção?
Daniel travou. O meio sorriso desapareceu, substituído por um aperto na mandíbula.
Do outro lado do vidro, Augusto não se conteve mais. Empurrou a porta com força, fazendo-a bater contra a parede. O som ecoou pela sala.
Os policiais se moveram para intervir, mas Thomas levantou a mão, sinalizando que deixassem.
Augusto caminhou até Daniel, cada passo pesado, os olhos verdes faiscando de fúria contida. Parou diante dele, inclinou-se até ficar cara a cara, tão próximo que Daniel pôde sentir sua respiração.
— Então você quer do jeito difícil, Daniel. — a voz saiu grave, cortante, como lâmina. — Quem é o maldito Louvre?
Daniel sustentou o olhar, mas dessa vez sem o mesmo vigor. O suor escorria pela testa, denunciando a tensão. Um meio sorriso de ódio surgiu, mas não havia firmeza nele.
— Você não quer acreditar que seja eu porque é arrogante demais para admitir — murmurou, num sussurro carregado de veneno. — Admitir, senhor Monteiro, que um simples chefe de segurança passou você para trás durante anos.
O meio sorriso torto de Daniel cortava como deboche, mesmo com as algemas refletindo a luz da sala.
O silêncio caiu pesado, sufocante, como se cada palavra tivesse cravado uma lâmina no orgulho de Augusto.
Do lado de fora da sala, um policial apertava o rádio, esperando ordens. Thomas mantinha-se atento, mas no fundo sabia: tinha peças faltando
E Augusto, parado diante de Daniel, sentia no próprio peito a incerteza.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...